118 Dias

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06 de março de 2015

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Hollywood anda encantada com a descoberta de um novo filão: as adaptações de histórias reais que envolvem obstinação e perseverança em condições brutais e desesperadoras.  E o mundo está repleto destas histórias; resta alguém que saiba contá-las. Angelina Jolie recentemente se arriscou bastante ao contar a incrível história do atleta olímpico Louis Zamperini, preso e torturado pelas tropas japonesas durante a 2ª guerra mundial em “Invencível (Unbroken no original), mas não conseguiu ir além do prevísivel. Agora é a vez do ator/comediante/escritor Jon Stewart, que decidiu adaptar para as telas o livro do jornalista iraniano, mas de nacionalidade canadense, Maziar Bahari, “Then They Came for Me – A Family’s Story of Love, Captivity and Survival” que conta a trajetória do jornalista preso por quatro meses pelo governo iraniano quando cobria as eleições em junho de 2009.

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No início, 118 dias (Rosewater) é construído na base da “câmera repórter” cujos enquadramentos flertam com a estrutura de um documentário jornalístico (com a interessante ajuda de inserções de hashtags e legendas). Aos poucos o filme vai denunciando o constante perigo em se viver em um país intolerante que fraudam eleições sob a nefasta presença religiosa dos aiatolás. Assim como no excelente filme chileno “NO” de Pablo Larrain (também estrelado por Gael Garcia Bernal), o papel da mídia e da imprensa provocativa são questionados, mas as comparações param por aí.

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Após a prisão de Bahari, o filme abandona este importante apelo histórico e se concentra na banalização do mal e no confinamento regado a fortes pressões físicas e psicológicas. Nesta parte, o individual ganha força e a figura de Javadi ,mais conhecido como Rosewater, (o excelente ator dinamarquês Kim Bodnia) adquire uma importância vital para o desenvolvimento da trama.

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Sem muita intimidade com o universo dos filmes políticos, Stewart  faz um retrato parcial de um complexo contexto histórico fechando várias  possibilidades para uma reflexão mais ampla. Fica claro que a atitude do diretor é emocionalmente unilateral e o que interessa é mostrar as terríveis condições as quais  Bahari foi submetido e como é ridículo o sistema de persuasão do estado ditatorial islâmico, mas graças a intervenção do elenco e a competente equipe técnica, o filme consegue alcançar algum valor artístico. Alguns elementos cômicos (como a história sobre as massagens) quase tiram 118 dias (Rosewater) fora de sua rota, mas de forma geral o encontro entre Stewart e Bahari é repleto de apelos satisfatórios e sinceros.

 

118 dias (Rosewater)

Eua, 2014. 103 min

Direção: Jon Stewart

Com: Gael Garcia Bernal, Kim Bodnia, Haluk Bilginer, Dimitri Leonidas, Nasser Faris

Avaliação Zeca Seabra

Nota 4
  • Enic

    Como sempre ótima crítica Zeca.

  • Almanaque2014

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