14+

Filme russo discute o despertar do amor e da sexualidade na adolescência

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17 de outubro de 2015

O primeiro amor de adolescência (ou de infância) é um tema bastante popular no cinema. Além dos óbvios “Meu Primeiro Amor” e “Romeu e Julieta”, outros títulos recentes – a maioria dos EUA – merecem destaque: “Moonrise Kingdom”, “Inquietos”, “A Culpa é das Estrelas”, “Agora é Para Sempre”, “Amor Sem Fim”, “Se Eu Ficar”, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, “Club Sandwich” e “Amor à Primeira Briga”. Em soma à esta pequena lista, está o exemplar deste ano da Rússia “14+”, exibido no Festival de Berlim e no Festival do Rio 2015. Na trama, Alex (Gleb Kalyuzhny) se apaixona à primeira vista pela bela Vika (Ulyana Vaskovich). Tímido, ele opta por descobrir mais sobre a garota na internet e colecionar suas fotos até tomar coragem para se aproximar. Não é para menos: com Vika estudando numa escola rival à de Alex, onde uma gangue skinhead de adolescentes mais velhos e violentos se considera dona meninas locais, o menino tem com o que se preocupar. É numa festa da escola, em que Alex aproveita a oportunidade para chamar Vika para dançar e deixa os garotos furiosos, que a história de amor juvenil dos dois tem início em meio a dificuldades.

Os planos de Alex para conquistar Vika são de conhecimento apenas de seus dois melhores amigos e agora cúmplices. Juntos, os meninos tentam enganar a gangue para ajudar o romance do amigo a acontecer. Comparados pelos skinheads ao casal épico Romeu e Julieta, que também tinha empecilhos no caminho, a relação de Alex e Vika demora a engrenar, mas amadurece rápido depois que começa. É interessante notar o contraste entre o final da infância e início da idade adulta conduzido por Andrey Zaytsev: o quarto juvenil estilo menininha de Vika é o ambiente em que realmente começa o jogo de sedução entre os dois, enquanto o quarto juvenil e bagunçado de Alex com roupa de cama de ursinhos e abelhas e super-heróis é o mesmo cenário em que ambos compartilham bebida alcoólica e concretizam a paixão. Eles formam o típico casal adolescente inexperiente, fisicamente bonito e fofo que o público gosta de ver.

Um dos destaques do longa é a mãe de Alex (Olga Ozollapinya), que tenta ensinar o menino a ser diferente dos homens que já passaram por sua vida e respeitar as mulheres. Ela percebe que seu filho cresceu e que, mesmo a duras penas, é preciso cortar o cordão umbilical e deixá-lo descobrir o amor e seus desdobramentos por si próprio. O mesmo acontece com a mãe e até o pai lacônico de Vika, que se comunica através do marrento irmão mais novo – eles dão limites à filha sem prendê-la. Há respeito em ambos os lares. Apesar dos clichês como em todo filme do gênero, “14+” tem seus méritos e discute, ainda que sem muito aprofundamento, pontos importantes sobre o processo natural de amadurecimento e a relação entre pais e filhos durante a adolescência.

 

Festival do Rio 2015 – Mostra Geração

14+(Idem)

Rússia – 2015. 106 minutos.

Direção: Andrey Zaytsev

Com: Gleb Kalyuzhny, Ulyana Vaskovich, Olga Ozollapinya, Alexey Filimonov, Dmitry Barinov, Daniil Pikula e Elizaveta Makdonskaya.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4