A Escolha Perfeita 2

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13 de agosto de 2015

A combinação de música e juventude no campo audiovisual não parece má ideia quando o assunto é entretenimento dos mais comerciais. A série televisiva “Glee” e os filmes do “High School Musical” são exemplos de sucessos recentes que conquistaram a tietagem de uma legião de adolescentes. “A Escolha Perfeita” (2012), de Jason Moore, chegou com tudo aos cinemas reunindo em uma salada musical ingredientes característicos das rotulagens juvenis ― a gordinha desengonçada, a magra bulímica ou a garota alternativa fora dos padrões. Com o entrosamento do elenco a favor da comédia, uma sincronia embalada por canções populares cantadas a capella, o filme não revolucionou o gênero, mas cumpriu sua função de divertir mesmo com a utilização de estereótipos que já não são novidade para ninguém. Diante do bom resultado dessa receita, nada mais natural que uma continuação.

No processo de criação de uma sequência, deve-se ter a noção de que o público, na maioria dos casos, prefere pagar por originalidade a consumir mais do mesmo. Uma regrinha ignorada em “A Escolha Perfeita 2”. Logo no início, as universitárias (quase diplomadas) do The Barden Bellas, após a volta por cima mostrada no filme anterior, desfrutam do privilégio de uma apresentação para o presidente dos Estados Unidos. Igual ao longa predecessor, é um grande fiasco do grupo universitário feminino que pode botar tudo a perder. A escatologia do vômito da líder, para a infelicidade dos espectadores da primeira fila, é substituída pelo rasgo nada discreto na calça de uma das integrantes. As partes íntimas de Fat Amy (Rebel Wilson ― a ideia é continuar apostando as gargalhadas na atriz), alçada no ar para a coreografia, ficam expostas com a bandeira americana ao fundo, para aumentar o desastre.

Dirigido pela atriz Elizabeth Banks, com seu papel na franquia como a comentarista Gail, sempre ao lado do misógino John (John Michael Higgins), “A Escolha Perfeita 2” prefere o atalho do conforto, sem modificar a trajetória certeira de queda e ascensão. Registros nonsense do roteiro, como o treinamento do tipo militar para melhorar o desempenho das cantoras, apontam a queda do nível. A formação das Barden Bellas passou por poucas alterações: a falta da controladora Aubrey (Anna Camp) é logo notada pelo espectador familiarizado com o primeiro longa, uma ausência justificada no decorrer da projeção. Emily (Hailee Steinfeld) é um novo rosto em destaque. A jovem é uma caloura que tem como trunfo a mãe, popular ”Bella” de uma formação das antigas, para tentar uma vaga no tradicional coral. Tão original quanto uma reprise, é Beca (Anna Kendrick), de novo, que está um passo a frente quando o assunto é talento. Evoluída musicalmente antes mesmo de ingressar na faculdade, ela tem a oportunidade de estagiar na produção do rapper Snoop Dogg, com participação especial do próprio. O conflito quase pueril de meninos contra meninas, presente em “A Escolha Perfeita” com a rivalidade entre as Bellas e os intimidadores “Treblemakers”, deixa espaço para a supremacia dos artistas alemães do “Das Sound Machine”. Os grandes favoritos no Campeonato Mundial de a capella no qual as Barden Bellas decidem se aventurar. Confirmando a inferioridade da sequência, a provação final do filme, previsível e até piegas, é tão empolgante quanto canções de final de festa.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3