A Família Dionti

Filme mistura lúdico e lírico para contar uma história sobre vida, morte e transformação

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14 de abril de 2017

Seres humanos com habilidades peculiares se fundem a elementos da natureza no longa-metragem de estreia de Alan Minas, que assina roteiro e direção de “A Família Dionti”. A trama se centra em Josué (Antônio Edson) e seus dois filhos, Kelton (Murilo Quirino) e Serino (Bernardo Lucindo), que vivem em um pequeno sítio no interior de Minas Gerais. Após o sumiço repentino da esposa, Josué tem esperança de que ela retorne ao lar, ao mesmo tempo que atenta para a possibilidade de que os meninos tenham herdado algo da mãe, que é o que parece ter acontecido, já que Kelton começa a derreter de amor e Serino a chorar grãos de areia.

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Alan Minas trabalha a todo momento com o contraste entre os dois irmãos: Serino é bem pouco emotivo, enquanto Kelton é um poço de emotividade, tanto que chega a literalmente derreter de paixão pela nova menina da escola, Sofia (Anna Luiza Marques), e pensa em fugir com o circo de sua família. Já seu irmão mais velho derrama grãos de areia pelos olhos, sofre com pesadelos diários e teme deixar entes queridos para trás. É a terra e a água que se equilibram na figura do pai. A relação entre o homem e a natureza é outro ponto bastante explorado por Minas no longa, que utiliza um delicado realismo fantástico para expressá-la através de um homem que vira uma flor, um idoso que solta abelhas pela boca e um menino que se transforma em nuvem.

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Vencedor na categoria melhor longa-metragem de ficção pelo Júri Popular no 48º Festival de Brasília 2015, “A Família Dionti” mistura lúdico e lírico para contar uma história sobre vida, morte e transformação, que também surge na forma de amadurecimento. O maior problema do filme, no entanto, reside em certos fatos que permanecem mal explicados mesmo ao final, como a mãe dos garotos ter derretido de amor (como indica a sinopse oficial) e o surgimento de uma funcionária do Conselho Tutelar, que desaparece tão rapidamente quanto aparece na tela. Falta um pouco mais de informação e aprofundamento nos personagens, o que não tira de maneira nenhuma o valor do longa, que desponta com uma proposta original e sensível num cenário em que as produções vazias de comédia ganham mais espaço do que deveriam no cinema nacional.

 

39ª Mostra de SP 2015 – Mostra Brasil

A Família Dionti (Idem)

Brasil / Reino Unido – 2015. 97 minutos.

Direção: Alan Minas

Com: Antônio Edson, Gero Camilo, Murilo Quirino, Bernardo Lucindo e Anna Luiza Marques.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4