Amor à primeira briga

Filme francês surpreende por mistura de gêneros e fuga de clichês

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03 de abril de 2015

Longa-metragem de estreia do diretor francês Thomas Cailley, “Amor à primeira briga” alcançou a proeza de ser o primeiro filme a ganhar os três prêmios da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2014 (Prix Label Europa Cinema, Art Cinema Award e Prix SACD). Além da construção de um romance que foge do óbvio, Cailley faz uma análise da situação dos jovens na faixa dos 20 anos que vivenciaram a crise econômica e tentam encontrar o seu lugar no mundo; tudo isso com a dose certa de humor. Na trama, Arnaud (Kévin Azaïs) e Madeleine (Adèle Haenel) se conhecem durante o verão e, apesar do primeiro encontro conflituoso, vão se envolvendo aos poucos. Os dois possuem personalidades completamente opostas: ele é tranquilo e ela, explosiva, e por isso têm muito a aprender um com o outro nessa história de amor e sobrevivência.

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O título original, “Les Combattants”, faz referência aos protagonistas e à fase da vida que o diretor considera bastante complicada. Arnaud e Madeleine precisam combater a si mesmos, suas inseguranças, medos, indecisões, frustrações e sentimentos para enfrentar a vida que ainda têm pela frente e não fazem a menor ideia do que devem fazer com ela. Madeleine esconde sua fragilidade e ansiedade sob uma máscara constante de agressividade, enquanto Arnaud prefere encarar as situações com tranquilidade. Ela acha que o mundo vai acabar e quer se preparar para tentar sobreviver ao evento num treinamento militar, e ele a segue em sua empreitada aventureira. Quando se veem sozinhos numa floresta, eles precisam se ajudar para passar por provações num ambiente desconhecido, e aprendem um com o outro, vão deixando as barreiras caírem e se envolvem cada vez mais. É a selva da vida mostrando que a sobrevivência sem outras pessoas não é possível.

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Com roteiro perspicaz de Thomas Cailley e Claude la Pape, que repetem a parceria do curta-metragem de 2010, “Paris Shanghai”, premiado em diversos festivais, “Amor à primeira briga” é um filme que mistura diferentes gêneros para compor uma história única e envolvente que escapa do lugar-comum. É uma combinação acertada de um roteiro rico em metáforas com ótimos diálogos, direção primorosa, excelente química entre os atores principais, bela fotografia e trilha sonora harmônica, que deu a Cailley o prêmio César 2015 de Melhor Primeiro Filme. Destaque para as excelentes atuações de Adèle Haenel (“L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância”), que ganhou o prêmio de Melhor Atriz, e de Kévin Azaïs (“Se Fazendo de Morto”), que levou o prêmio de Ator Revelação no mesmo festival.

 

 

Amor à primeira briga (Les Combattants)

França – 2014. 98 minutos.

Direção: Thomas Cailley

Com: Adèle Haenel, Kevin Azaïs, Antoine Laurent, Brigitte Roüan e William Lebghil.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4