Até que a Casa Caia

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09 de dezembro de 2015

A narrativa do filme “Até que a Casa Caia”, de Mauro Giuntini, parte da subversão do conceito de família para gerar os pontos de tensão dramática, ou mesmo de comédia. A aposta é a convivência direta, sob o mesmo teto, de um casal separado, Rodrigo (Marat Descartes) e Ciça (Virginia Cavendish), além do filho adolescente Mateus (Emanuel Lavour). Ao escolher não dissolver o formato “familiar”, o longa pretende incitar uma reflexão sobre a real necessidade de manter uma distância segura em casos de separação. O caminho que se segue é o oposto, com a total ausência desse afastamento entre Rodrigo e Ciça. Até uma obra mal sucedida na casa ajuda a estreitar os laços ― um buraco na parede, bastante simbólico, entre os quartos dos ex-companheiros encolhe ainda mais a privacidade. “Até que a Casa Caia” já começa queimando o pavio. Rodrigo acorda em casa após uma noite de farra e uma mulher dorme ao seu lado. Trata-se de Leila (Marisol Ribeiro), a futura namorada dele que logo estará frequentando o lugar, bem debaixo do nariz de Ciça e de Mateus. A moça, toda atirada, é dinamite com potencial para implodir de vez os requisitos do bom convívio.

Apesar da premissa válida, o maior desafio de “Até que a Casa Caia” é manter-se erguido. A boa intenção, que se resume no desdobramento de uma inversão de padrões, é prejudicada por um texto pobre que abre caminho para o desempenho regular dos atores. Todos tentam, mas os diálogos, a motivação dos personagens e uma ambientação cinematográfica que beira o amadorismo não os deixam ir mais além. Filme titubeante, fragilidade que transparece na indecisão prejudicial entre o drama e a comédia, “Até que a Casa Caia” ainda fracassa ao sucumbir à tentação de se mostrar politicamente engajado. Em determinados momentos, críticas veladas, mas de facílimas associações, revelam a pouca criatividade por trás do roteiro. Nesse contexto, Rodrigo é um professor que, literalmente, leciona com o nariz vermelho de palhaço ou, para citar mais um exemplo, o sugestivo nome do colégio (“Elefante Branco”) onde o jovem Mateus estuda surge óbvio demais na camisa do uniforme. Vale ressaltar que a essas alfinetadas preguiçosas e frouxas, o filme opõe consequências morais da entrada de Rodrigo como assessor na Câmara dos Deputados. Nova ocupação que rende ao professor prazeres de diferentes tipos ― o desejo frívolo por Leila, que é secretária de um deputado charlatão, e o considerável dinheiro por fora, esse último um deleite culposo que ele esconde no fundo do armário.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 2