Aula Magna com diretor Mark Osborne de “O Pequeno Príncipe”

Diretor deu uma canja no Anima Mundi e concedeu Aula Magna

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23 de julho de 2015

Logo após a primeira exibição do filme no Festival de Cannes 2015, o maior Festival de Animação da América Latina, o Anima Mundi, trouxe exclusivamente ao Rio de Janeiro/Brasil neste domingo, dia 12 de julho, a 2ª Première mundial da nova adaptação cinematográfica do clássico eterno “O Pequeno Príncipe” (“Le Petit Prince”). Contando com a presença do diretor Mark Osborne (“Kung Fu Panda”) e de seu filho, Riley Osborne, que dubla o Príncipe na versão em inglês, e do ator Marcos Caruso, que faz a voz do aviador na versão em português. Cheio de humor e simpatia, o cineasta gentilmente cedeu antes da projeção uma Aula Magna sobre como foi realizar o projeto, já que o Festival Anima Mundi não apenas se notabiliza pelas exclusividades que traz, mas como por proporcionar workshops e aulas de incentivo à arte da animação para público e futuros profissionais da área.

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Projetando no telão um show de slides, Mark Osborne nos trouxe um pouco de sua vida para explicar de maneira comovente como o projeto lhe é caro e veio parar em suas mãos. Desde sua juventude, quando ainda namorava a ora esposa e tiveram de se separar geograficamente para que ele cursasse seu sonho na faculdade de Animação na Califórnia, longe do estado em que moravam. Foi assim que ela referenciou uma das frases mais famosas do livro para que ele nunca a esquecesse: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Para tanto, ela lhe enviou com uma dedicatória a própria cópia de “O Pequeno Príncipe”, fazendo-o se apaixonar pela primeira vez com o livro e sua história atemporal. E eles nunca se esqueceram, continuando a trocar cartas por anos, até voltarem a se encontrar para casar e terem filhos.

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Tamanha a ironia da vida em que chegasse o dia no qual Osborne fosse convidado para adaptar o clássico da Literatura em película, de modo que o diretor se viu num impasse: aquela obra a tanto lhe significar simplesmente não podia ser versada para o cinema. Ele não conseguia crer que fosse possível. E declinou da oportunidade. Acontece que a chance voltou mais de uma vez, e ele não queria deixar cair nas mãos talvez de outro realizador que não conhecesse ou amasse da mesma forma o texto original. Foi desta forma, e pensando em seus filhos, já um pouco mais crescidos e também fãs do livro, que enfim aceitou a proposta. E inspirado em sua filha, criou um conceito que expandisse o universo original e o contivesse também, protegido e respeitado. Assim não seria uma mera adaptação, e sim uma história nova sobre uma criança que estaria conhecendo pela primeira vez o livro original em sua forma pura, preservando a sensação única da primeira vez que todos os fãs do Pequeno Príncipe, de todas as gerações, tiveram ao abrir aquelas páginas mágicas pela primeira vez, e pudessem se identificar também na telona.

Outro grande elemento do projeto foi homenagear a animação como um todo, a grande paixão do cineasta, e assim chegou a maior referência usada no filme: o grande mestre japonês do gênero Hayao Miyazaki, que, não por acaso, também já declarou ter “O Pequeno Príncipe” como seu livro favorito e inspiração para seus filmes, como “Meu Amigo Totoro”, “A Princesa Mononoke”, “A Viagem de Chihiro”, “Ponyo” e etc… Ao mesmo tempo, são filmes com personagens femininas fortes e centrais na trama, o que reforçou sua ideia de nortear seu filme em torno de uma garotinha que visse a se apaixonar pelo livro pela primeira vez. Assim também nasceu parte do conceito visual, demonstrado no telão do cinema pelo diretor em sua apresentação de slides, exemplificando no filme como é cinza e quadrado o mundo dos adultos e das crianças a quem se é exigido excesso de maturidade cedo demais. Enquanto que a casa do personagem do Aviador, o mesmo do livro, agora mais velho e solitário, é toda cheia de plantas e flores, e coisas desarrumadas e divertidas, como seria o quarto de uma criança. Este contraste exibe bem a diferença que ser tocado pelo mundo do Pequeno Príncipe pode fazer em sua vida, e preservar a criança interna da qual tanto precisamos em todas as idades.

Agora cabe a cada espectador absorver e aproveitar a experiência.