Belle e Sebastian

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12 de fevereiro de 2015

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A simples história de um menino e seu cão. Poderia ser uma bela aventura. O que não se esperava era que com fotografia embasbacante, o carisma do garoto (e do cão), acrescentando à mistura um background persecutório do período nazista sem clichês, e a aventura ganha pequenos contornos épicos. Não demais, para não parecer pretensioso, só o bastante para transcender um mero entretenimento infanto-juvenil e virar um encantamento memorável para toda a família.

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O fato de o cineasta Nicolas Vanier acumular as funções de diretor, roteirista e surpreendentemente um aventureiro declarado de carteirinha, que ama explorar raras regiões virgens e suas histórias, se torna uma das maiores vantagens para captura de tão belas paisagens. E nunca inócuas, pois sempre interagindo com suas personagens, as escondendo ou revelando de acordo com a necessidade, dentre nazistas, refugiados, bestas e feras e seus caçadores…. revelam-se montanhas, verdes pastos, encostas nevadas e um desbunde de diversidade natural. O cineasta já havia abordado o vislumbrante elemento isolador das locações geladas com “Lobo – Uma Amizade para Sempre”, belo retrato também da amizade com os animais por sobrevivência na hostilidade selvagem, e que incluía também um romance em meio às tribos da Sibéria. Tanto que lhe rendeu o Grande Prêmio Terra no Festival de Toronto.

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Neste “Belle e Sebastian” sai o estranhamento de conhecer culturas novas, lobos e renas, além do romance e entra a amizade verdadeira entre garoto de personalidade magnética, tolhido por nazistas que invadem sua isolada cidade montanhosa, e em meio a tudo isso precisa ajudar um cão selvagem chamado por todos como “A Fera”, mas que na verdade é uma bela cadela defensora dos animais, aludindo à “A Bela e a Fera”, e que vai ajudar os refugiados com seus instintos geográficos na neve a escaparem dos nazistas. Ainda há um tico de romance inesperado entre os coadjuvantes, e, mesmo teclando mais uma vez nos acordes de uma aventura emotiva, consegue criar filme completamente diferente, com outros tons multicoloridos, e engajamento novinho em folha.

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“Belle e Sebastian” (“Belle et Sebastien” no original, 2013)

Festival do Rio 2014 – Mostra Geração

“Belle e Sebastian” (“Belle et Sebastien”)

França, 2013. 87 min.

De Nicolas Vanier

Com: Félix Bossuet, Tchéky Karyo, Margaux Châtelier, Dimitri Storoge

Avaliação Lena Cavalheiro

Nota 4