Branco Sai, Preto Fica

em Festival de Brasília

por

23 de março de 2015

Após uma carreira quase toda destacada a valorização do rap e a sua cidade, o brasiliense Adirley Queiroz voltou seus esforços para contar uma história sobre raça, repressão e sobre cerceamento de direitos, entre eles, o de ir e vir, mas ainda resgatando os elementos utilizados em sua carreira pregressa a Branco Sai, Preto Fica.

 

A emoção faz o sujeito focado pela câmera esbarrar no microfone, que unido a voz embargada insere o público no universo emocional e nostálgico da fita, quase despensando qualquer fala. Os personagens retratados em tela são levemente inspirados em seus interpretes, que cederam alguns detalhes de suas vidas para as corruptelas pensadas por seu realizador.

 

Em alguns momentos a comédia predomina, como um modo de descontrair e fugir da tragicômica realidade brasiliense, utilizando alguns dos clichês tecnobabbles da ficção científica para tal, inserindo até um pouco de escapismo a trama, ainda que esta trama paralela pudesse ser melhor inserida no plot principal. O final de viés revoltado é executado por outro estilo narrativo, o que até denota coragem, mas causa no público uma mórbida curiosidade de como seria a cena com os recursos abastados de um filme blockbuster, ainda que seu resultado final seja reflexivo e ponderado.

 

Avaliação Filipe Pereira

Nota 3