Cake – Uma Razão Para Viver

Jennifer Aniston mostra seu enorme talento dramático que estava oculto sob sua máscara de comediante

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08 de maio de 2015

Assim como o ator Jim Carrey, que, mais conhecido por atuar em comédias, mostrou sua verdadeira veia dramática nos filmes “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, “O Show de Truman” e “Número 23”, Jennifer Aniston, que se tornou conhecida pela série cômica “Friends” e por longas do gênero, como “Marley e Eu”, “Coincidências do Amor” e “Quero Matar Meu Chefe”, também estava escondendo seu talento dramático e agora o exibe em “Cake – Uma Razão Para Viver”. A trama gira em torno de Claire Simmons (interpretada por Aniston), uma mulher que se tornou extremamente depressiva e amarga devido a um trauma que lhe deu dores crônicas e a deixou coberta de cicatrizes – externas e internas. Depois do suicídio de Nina (Anna Kendrick), uma das frequentadoras do grupo para pessoas com dores crônicas do qual Claire participa, ela não se conforma com o ocorrido e inicia uma investigação sobre sua vida, o que a leva a conhecer o ex-marido de Nina, Roy (Sam Worthington, de “Avatar”), com quem desenvolve uma inesperada relação de amizade.

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No enredo escrito por Patrick Tobin (que não assina um roteiro desde 1996, do longa desconhecido por aqui “No Easy Way”), os motivos que levaram Claire ao fundo do poço são revelados em doses, bem menores que as dos remédios que ela toma desesperadamente para suas dores, não só físicas como também emocionais. O ritmo do filme é lento, igual ao ritmo de mudança de atitude da protagonista. Ao longo da trama, Claire, numa metáfora referente ao título original “Cake”, vai percebendo que está usando os ingredientes errados em doses equivocadas para fazer um bolo saboroso; e é sua fiel escudeira Silvana (Adriana Barraza, de “Amores Brutos” e “Babel”) e seu novo amigo Roy, com quem se identifica e encontra conforto, que a ajudam a se dar conta disso.

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Dirigido por Daniel Barnz (“A Menina no País das Maravilhas” e “A Fera”), “Cake – Uma Razão Para Viver” é um ótimo estudo de personagem. Ao mesmo tempo sensível e irônico, o filme nos apresenta a uma personagem densa que não tem coragem de se matar nem de viver, e se tranca em seus frascos de remédios para fugir de sua realidade sofrida com a qual não consegue lidar. Esnobada pela Academia, mas indicada a Melhor Atriz pelo Globo de Ouro e pelo SAG Awards, Jennifer Aniston, que também é produtora executiva do filme, se entrega completamente ao papel despida de vaidade (como o fez Reese Witherspoon recentemente em “Livre”), resultando numa interpretação fantástica. Ainda que a história não seja algo original, Barnz faz de tudo para não cair no lugar-comum, e é bem-sucedido em boa parte do longa, cujo desenlace é o despertar para Claire.

 

Cake – Uma Razão Para Viver (Cake)

EUA – 2014. 102 minutos.

Direção: Daniel Barnz

Com: Jennifer Aniston, Adriana Barraza, Anna Kendrick, Sam Worthington, Felicity Huffman e William H. Macy.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4