Caminhos da Floresta

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29 de janeiro de 2015

Rob Marshall começou sua carreira dirigindo adaptações fílmicas de peças musicais da Brodway. A primeira foi o filme para TV “Annie” (1999), que ganha um remake este ano pelas mãos de Will Gluck, seguido de “Chicago” (2003), sua estreia no cinema vencedora de 6 prêmios Oscar, incluindo o de Melhor Filme, e do fraco “Nine” (2009). Em “Caminhos da Floresta”, Marshall tenta, em parceria com a Disney, retomar o sucesso que conseguiu com “Chicago”. No entanto, a tentativa não é bem sucedida. O longa-metragem baseado na peça musical da Broadway de Stephen Sondheim e James Lapine (que também assina o roteiro), ganhadora do Tony Awards, possui uma narrativa fatigante com ritmo arrastado.

INTO THE WOODS

“Caminhos da Floresta” é o resultado de uma mistura dos contos clássicos dos irmãos Grimm Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), João e o Pé de Feijão (Daniel Hittlestone) e Rapunzel (Mackenzie Mauzy), que se mesclam e interagem com o enredo original de um padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt) que desejam mais do que tudo ter um filho e precisam reverter uma maldição lançada pela bruxa (Meryl Streep) para consegui-lo. O musical segue as trajetórias das personagens conforme suas histórias da Disney com alguns fragmentos dos contos originais, e macabros, dos irmãos Grimm (como é o caso da Cinderela) e possui, ainda, referências a outros filmes fora do universo da fantasia. O destaque fica para as atuações de Meryl Streep (indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel) e Emily Blunt, que apresentaram mulheres cheias de nuances.

INTO THE WOODS

Seguindo a tendência da Disney de trazer suas princesas para a realidade atual e colocá-las como mulheres independentes no controle de suas vidas, como já visto em “Valente”, “Frozen” e “Malévola”, “Into the Woods” (no original) descontrói padrões dos contos de fada com a decisão (e indecisão) de Cinderela em relação ao príncipe (Chris Pine), que não é tão encantado assim. Entretanto, o filme se mostra contraditório ao manter o padrão no arco dramático da Rapunzel, que parece ter sido jogado na trama sem muito propósito e de forma inconclusa, do mesmo modo que outras personagens mal aproveitadas. Além disso, Marshall pesa um pouco a mão na caricatura das personagens, aproximando-se do longa “Encantada”, que zomba do tradicionalismo das histórias de princesas da Disney. Enquanto o alivio cômico funciona em algumas cenas e diverte o público, em outras o exagero empregado torna-as risíveis. Há, ainda, cenas que pretendem emocionar o espectador e outras que se encaixam nas velhas lições morais dadas pelos contos de fada.

INTO THE WOODS

Quarto musical dirigido por Marshall, “Caminhos da Floresta” parece não saber que caminho seguir e se perde na confusa floresta do roteiro de Lapine. A mistura de tantas histórias numa só tornou-se uma entediante bagunça musicada, com extensos e cansativos números musicais. A tentativa pretensiosa de Marshall de reproduzir a grandiosidade da peça da Brodway na telona acabou sendo também incauta, visto que o diretor, ao que tudo indica, se esqueceu de levar em conta o fato de que cinema e teatro possuem linguagens, necessidades e públicos diferentes. “Caminhos da Floresta” acerta ao ironizar e desconstruir arquétipos da própria Disney, mas, com uma direção pouco eficiente, falha ao se perder nos meandros de um enredo com elementos demais, principalmente no terceiro ato. Ainda assim, deve agradar os fãs de musicais.

 

Caminhos da Floresta (Into the Woods)

EUA – 2014. 125 minutos.

Direção: Rob Marshall

Com: Meryl Streep, Emily Blunt, James Corden, Anna Kendrick, Chris Pine, Tracey Ullman, Christine, Baranski e Johnny Depp.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 2