Capitao América 2 – O Soldado Invernal

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12 de dezembro de 2014

É Marvel: quem te viu quem te vê!
Dona de uma boa fatia do mercado cinematográfico anual, a outrora só criadora de quadrinhos dos X-men, Homem-Aranha e Vingadores etc, não só causou uma reviravolta com o sucesso das adaptações dos heróis para a telona, como foi galgando cada vez mais autonomia criativa com seu braço de produtora executiva dos filmes. Desde não deixar (na teoria) corromperem suas personagens, bem como imprimindo um estilo próprio de filmar.

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Foi evoluindo constantemente, principalmente depois do sucesso esmagador de Os Vingadores, que pavimentou as regras do jogo, da ação, e do humor sarcástico pras outras franquias individuais: os efeitos da marolinha fizeram de Thor 2 bastante superior ao 1o (mesmo que o inicial tenha sido dirigido por Sir Kenneth Brannagh), e, agora, o mesmo pode ser dito de Capitao América 2 – O Soldado Invernal (Captain America 2 – The Winter Soldier, 2014, de Anthony e Joe Russo). Enquanto que o 1o inaugurou bem estiloso com uma paródia de época da gênese retrô do herói na 2a GM, esta sequência se leva a sério.

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Desde o roteiro e desenvolvimento de personagens, pondo em xeque a lealdade de todos com reviravoltas, mortes surpresas e traições, ao visual e efeitos especiais. Tudo é grandioso e azeitado (como as ótimas cenas do cerco ao eficiente Samuel L. Jackson como Nick Fury, ou a cena do elevador…), numa trama sobre teorias de conspiração belicista dentro dos próprios EUA com o Capitão América (Chris Evans, ainda só mediano, porém quebrando o gesso a cada película) caçado por tudo e por todos (até pela musa Scarlett Johansson como a dúbia Viúva Negra???).

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As ressalvas, no entanto, são menos em nome dos fãs e mais em nome da evolução da Marvel como cinema: em 1o lugar, com tantas novas franquias individuais para tantos heróis (já anunciados o Homem-Formiga e Dr. Estranho, etc), a plateia que desconhece os quadrinhos e só quer um pipocão vai ficar cada vez mais confusa com as referências cruzadas voltadas para aficionados (que se deliciam, sem dúvida).

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E em 2o lugar, a Marvel periga pasteurizar o cinema de ação heroico, pois industrializou um formato plástico tão perfeito na embalagem que às vezes não tem alma (é inegável que o Capitão tem menos carisma que o Homem de Ferro e o Thor nos cinemas) ou não consegue mais quebrar os moldes em que se acorrentou – Onde o cinéfilo mais atento consegue prever as surpresas e as emoções por vir…tanto que mal se percebe o crédito de direção para os irmãos Anthony e Joe Russo (cujos trabalhos mais proeminentes foram na tv ou Dois é bom, Três é demais na telona), já que claramente quem dá as cartas é a Marvel, não obstante quem contratem como diretor meramente para obedecer.

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Por enquanto os filmes estão mantendo ótimo selo de qualidade, todavia podem rumar para a falta de individualização e identidade em troca da grandiloquência, tema de críticas na própria arte originária: os quadrinhos, pois de quando em quando os escritores inventam grandes sagas só para matar alguns heróis, fazendo os fãs torcerem o nariz por ser uma saga caça-níquel…

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PS: como sempre, esperem por cenas extras durante e depois dos créditos finais (com dicas para Vingadores 2: A Era de Ultron).

 

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 5