Exorcistas do Vaticano

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25 de agosto de 2015

Acostumado a dirigir filmes de ação (Adrenalina 1 e 2 e O Motoqueiro Fantasma) e envolvido em operação de dublês, Mark Neveldine sabe preencher a tela com muito barulho e explosões. Em Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes, 2015), Neveldine faz sua primeira incursão no gênero terror sem, entretanto abandonar o estilo explosivo.

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Na trama, a jovem Angela Holmes (Olivia Taylor Dudley), acidentalmente corta seu dedo no dia de seu aniversário.  No entanto a infecção faz com que ela comece a agir de forma estranha e começa a causar ferimentos graves e até mortes nas pessoas ao seu redor. O Padre Lozano (Michael Peña) residente do hospital acredita em possessão e pede ajuda ao Vaticano.  Ao tentar exorcizar o demônio, descobre-se que a força satânica em Angela é mais forte do que se imaginava.

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Indeciso na abordagem (ora a câmera é subjetiva, ora é estática), o diretor explora como pode os clichês básicos dos filmes de possessão, prestando uma óbvia homenagem aos clássicos O Exorcista (1973) e A Profecia (1976). Com um início promissor no estilo mockumentary (falso documentário), que promete abrir a caixa de Pandora guardada a sete chaves nos porões do Vaticano, o filme desliza para o terror básico com uma trama simplória bastante explorada em produções similares: uma jovem loira e simpática, arquétipo do norte americano feliz, é o campo de pouso perfeito para que o demônio construa seu castelo de maldades, seguindo as profecias bíblicas. O roteiro não faz questão de bisbilhotar subtextos mais elaborados e perde uma grande oportunidade de fazer uma alusão ao conto da Bela Adormecida onde uma jovem que fura o dedo no dia do seu aniversário abre as portas para o mundo das trevas.

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O miolo é preenchido com sustos básicos que servem apenas para amedrontar a platéia e não refletir sobre o poder do mal na Terra. Já no final, Neveldine apresenta uma explosão digna de Hiroshima e faz uma conclusão que envergonharia o próprio demônio.

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Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes)

Eua, 2015. 91 min

Direção: Mark Neveldine

Com: Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott, Djimon Hounsou, Alison Lohman

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Avaliação Zeca Seabra

Nota 2