Fantasia

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05 de novembro de 2014

A realidade é nua e crua no filme “Fantasia” de Chao Wang. Tudo começa com a leucemia do pai de família Zhao (Xu Zhang), doença que exige um tratamento caro e a fábrica onde ele trabalha, em fase de crise, só pode arcar com metade das despesas. Xiao Lin (Ruijie Hu) é o personagem no olho do furacão que quer escapar das tristezas do lar ― ele passa a não frequentar as aulas, sofre hostilidade no colégio, e em suas caminhadas descobre um navio desativado ocupado por pessoas que despertam sua curiosidade. Ele observa de longe até se aproximar dos que ali vivem para ter, na realidade dos outros, sua dose vital de fantasia.

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Filme de ruptura da rotina, em “Fantasia” a câmera passa calmamente por cada personagem, com cuidado para examiná-los em aproximadamente 85 minutos de projeção. O retrato da china contemporânea em crise tem como guia o diagnóstico preocupante de um trabalhador regular. Desta forma, percebe-se que tudo gira em torno do dinheiro e a família combalida não tem outra saída a não ser correr atrás dele. A rotineira venda de jornais não é suficiente para os gastos e Tang Min (Su Su), a mãe, torna-se pedinte de ajuda financeira. Qin (Renzi Jian), irmã de Lin, é também humilhada antes de ter dinheiro nas mãos. No espaço de um único filme (a dedicação do longa a vivências é clara na trajetória da moça), Qin perde a virgindade com o namorado até que seja encaminhada, pela desesperança do lar, à prostituição.

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Diretor de “Luxury Car”, ganhador do prêmio Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2006, um filme que também tratava da questão do adoecimento, Chao Wang escolhe não se aprofundar demais no escape de Xiao Lin, seu personagem central. Com a oferta de cenas pouco explicativas da relação do jovem com os novos conhecidos, resta ao espectador a obrigação de fantasiar.

Festival do Rio 2014 – Mostra Panorama

Fantasia

China, 2014; 85 minutos

Direção: Chao Wang

Com: Jian Renzi, Hu Ruijie

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3