Forma

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03 de outubro de 2014

Após trabalhar como operadora de câmera, diretora de fotografia e iluminação para renomados diretores japoneses como Shinya Tsukamoto, Ayumi Sakamoto marca sua estreia em longas-metragens com o drama “Forma”, cujo roteiro levou 6 anos para ser concluído. Sem presença de trilha sonora, inclusive nos créditos, Sakamoto conduz uma narrativa repleta de frieza e ódio latente, com poucos e curtos diálogos e tons de cinza em cenários apáticos. Ayako Kaneshiro (Nagisa Umeno) encontra a antiga colega de ensino médio Yukari Hosaka (Emiko Matsuoka) depois de 10 anos sem contato e a convida para trabalhar na empresa em que é gerente. O que no início parece uma amizade distante, vai se transformando numa relação estranha à medida que Ayako e Yukari passam a conviver diariamente como chefe e subordinada, fazendo finalmente transbordar um copo cujo líquido já estava atingindo o topo. Ressentimentos do passado vêm à tona e provocam um confronto entre as duas mulheres que dificilmente poderia terminar bem.

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Apesar de a cena de abertura de “Forma” parecer não ter função, é ela que sinaliza o estado em que se encontra a vida e a mente de Ayako – confusa, repetitiva e limitada, sem saber bem que rumo seguir. O ritmo lento do filme, típico de produções japonesas, nesse caso torna-se exagerado devido aos extensos 145 minutos de projeção, que acabam cansando até pouco mais da metade do longa, por deixar o espectador no escuro tentando entender pontas soltas da trama até o momento em que começam a ser apresentadas explicações. O caminho escolhido por Sakamoto é um faca de dois gumes, principalmente por se tratar de seu primeiro filme. A falta de pressa e de resolução da narrativa tanto desperta curiosidade quanto afasta o público.

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Em três diferentes ângulos de visão, Sakamoto revela aos poucos o que aguardamos tanto tempo para saber, sendo o terceiro a tão esperada reviravolta, que se dá num plano-sequência de 24 minutos, o mais marcante da película. Revelações fortes são feitas em meio a um clima bastante tenso e um desfecho inesperado ocorre. Entretanto, talvez pelo fato de Sakamoto não ter elaborado um script para a cena, deixando os atores completamente livres, há falta de um diálogo mais poderoso, exigido pelo momento agressivo entre as protagonistas. Ainda assim, “Forma” é uma boa estreia para a diretora, que faturou o prêmio FIPRESCI no Festival de Berlim 2014 com sua obra primogênita.

 

Festival do Rio 2014 – Mostra Expectativa

Forma (Idem)

Japão – 2013. 145 minutos.

Direção: Ayumi Sakamoto

Com: Emiko Matsuoka, Nagisa Umeno, Seiji Nozoe, Ken Mitsuishi e Ryo Nishihara.