Hotel Transilvânia 2

por

24 de setembro de 2015

Com o ator americano Adam Sandler como produtor executivo, a animação da Sony “Hotel Transilvânia” (2012) transmitia ao público alvo, com a ajuda dos simpáticos monstrinhos liderados por Drácula (voz de Sandler), que definições de bem e mal se resumiam a uma questão de ponto de vista. No filme, a distância entre monstros e seres humanos acabou por culminar na consciência de que a diversidade precisava ser aceita para o convívio em mundo pacífico. Boa metáfora contra o preconceito praticado na vida real e lição de vida ao paizão Drácula, que aprendeu a aceitar a paixão de Mavis (Selena Gomez), a filha superprotegida, pelo humano Jonathan (Andy Samberg). Se antes o Hotel idealizado por Drácula, povoado pelos monstros mais esquisitões, serviu de cenário para a comemoração dos 118 anos de Mavis, agora, em “Hotel Transilvânia 2”, o lugar celebra o casamento da vampira com Jonathan. Os costumes contrastantes dos convidados, familiares do noivo em confusa interação com os excêntricos amigos da família Drácula, prometem divertidas trapalhadas logo no início do filme.

“Hotel Transilvânia 2”, com a participação de Adam Sandler estendida ao roteiro e a mesma direção de Genndy Tartakovsky, não se distancia muito do padrão narrativo do primeiro filme. A celebração inicial é mais uma vez contrabalanceada por um conflito que não inova ― a vontade de Mavis de abandonar os domínios do hotel, para o pesadelo do pai que tem a missão de protegê-la por toda a eternidade. A novidade fica por conta de Dennis (Asher Blinkoff), o filho híbrido de Mavis e Jonathan. À medida que o garoto vai crescendo, aumenta também a expectativa dos parentes para saber quais genes, monstros ou humanos, serão os mais dominantes. Sem paciência para esperar, Drácula parte em uma missão “educativa” para fazer aflorar o lado vampiro do neto. Com a ajuda de desajustados companheiros como o desmembrado Frankestein (Kevin James) e o múmia Murray (Keegan-Michael Key), Drácula mais uma vez descobre que nem tudo acontece da forma como ele deseja.

As frequentes caretas dos personagens de Drácula e Jonathan evidenciam que “Hotel Transilvânia 2” confunde a caricatura quase irritante com a vontade de fazer graça. Sogro e genro, a duplinha do exagero nas expressões faciais, parece bobalhona demais ao olhar mais examinador do adulto que acompanha o filho, por exemplo, durante a exibição. Outro ponto negativo, além da previsibilidade que se repete, diz respeito justamente ao apego do filme pela comédia. Sem alívio, o roteiro investe pesado demais em tiradas que se pretendem hilárias, deixando de lado a exploração de temas mais interessantes, como os citados no início do parágrafo. Botar a cabeça do espectador para funcionar, independentemente da idade do mesmo, é a melhor forma de valorizar um filme, de qualquer gênero ou formato.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3