Ida

por

26 de dezembro de 2014

Indicado da Polônia para concorrer a uma das vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015, o filme de Pawel Pawlikowski mergulha nas agruras do nazismo, da família e da religião para mostrar uma retrato sobre passado e presente na vida de duas mulheres diretamente afetadas pelo massacre feito pelos alemães. A história é apresentada na Polônia dos anos 60, onde Anna (Agata Trzebuchowzka), órfã, está prestes a se tornar freira no convento onde vive. Porém, antes da cerimônia, a madre superiora (Halina Skoczynska) insiste para que Anna vá visitar sua tia Wanda (Agata Kulesza), sua única parente ainda viva que ela nem sabia que existia. É nessa viagem de autoconhecimento que Anna descobre que seu nome verdadeiro é Ida e que é descendente de judeus que foram capturados e mortos pelos nazistas.

maxresdefault (1)

“Ida” (2013) é rico em reflexão por tratar temas áridos como religião e nazismo sem maniqueísmos e sem se posicionar de forma panfletária. Tia e sobrinha têm personalidades completamente antagônicas. Uma, a sobrinha, é pura, vivia em um convento e pretende tornar-se freira. A outra, a tia, é juíza, feminista e de ideais libertários. É claro que esse encontro deu uma guinada abrupta na vida de ambas, pois uma é para a outra tudo aquilo que abominam enquanto projeto de vida. O ponto alto do filme, além da belíssima fotografia em preto e branco que cai como uma luva para o tema é o fato das protagonistas expressarem-se pouco com palavras. O carro chefe aqui é a comunicação corporal, gestual, através dos olhares. Os planos fixos são constantes e nos remetem a uma sensação de angústia tão o quão profunda quanto à vivida pelas personagens. Aos poucos Ida e Wanda vão baixando a guarda e vão se permitindo, se abrindo, se entregando a uma relação não antes pensada por duas pessoas que sempre se sentiram tão sozinhas no mundo. A excelente fotografia se alia aos cenários de casas abandonadas, por entre as árvores e cemitérios escolhidos para compor essa ótima obra que em apenas 82 minutos nos choca, nos comove e nos emociona. Um belo convite à solidão.

maxresdefault

Por fim, não se pode deixar de destacar a excelente atuação das protagonistas. Agata Kulesza e Agata Trzebuchowska formam uma dupla que envolve e nos prende nessa teia de encontros e desencontros. A performance de cada uma, em cada papel, em cada contraponto, ao mesmo tempo que se afasta, se aproxima, colocando o espectador na torcida por um acerto de contas final.

Mostra Panorama do Cinema Mundial

Ida (Idem)

Polônia, 2013. 80 min

Direção: Pawel Pawlikowski

Com: Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska, Dawid Ogrodnik

Avaliação Samantha Brasil

Nota 5
  • Fernando Monteiro

    Vi o filme. Os pais e a criança não foram mortos pelos nazistas que invadiram a Polônia. Entendi que o foram pelos peões ou caseiros ou vizinhos que se aproveitaram da ocasião para ficarem com a propriedade das vítimas. Confira isso aí…