Insurgente

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23 de março de 2015

É uma verdade universal que cada ser humano é diferente um do outro. Essas diferenças são positivas e enriquecem a raça humana culturalmente. Entretanto, o homem sempre foi um animal que vive em bando. A tentativa de coletivizar o diferente costuma causar algum desconforto – sobretudo aos mais jovens, que ainda buscam seu lugar na sociedade.

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É apostando nesse conflito típico da juventude que a Saga Divergente busca alcançar seu público-alvo. E, se julgarmos apenas pelo sucesso de vendas dos livro de Veronica Roth, nos quais a saga cinematográfica é baseada, a aposta vem sendo acertada.

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Nesse filme, Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) tornam-se refugiados políticos, tendo que escolher entre esconder-se ou lutar contra o regime opressor de Jeanine (Kate Winslet), líder da Erudição.

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Não há mais a necessidade de apresentação dos protagonistas ou do universo como no primeiro filme. Talvez por conta disso, Insurgente praticamente se assume como um filme de ação, sendo a maioria delas protagonizadas pela Tris. Nesse aspecto, o filme perde em dramaticidade, talvez não por culpa da direção ou dos atores, mas por uma falha estrutural no roteiro, a qual chamarei de “efeito super-homem”.

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Acontece do seguinte modo: em uma aventura do Super-homem, ninguém espera que ele vá morrer, já que dificilmente alguém conseguiria colocar a vida do herói em risco. Para que haja alguma dramaticidade na cena, o que se faz é colocar alguém mais frágil em perigo, que possa morrer, como a Lois Lane, por exemplo.

Em Insurgente, a maioria das cenas de ação coloca Tris em perigo. Ninguém espera que a protagonista irá morrer no segundo filme de uma triologia, o que acaba fazendo com que muitas cenas visualmente bonitas e bem coreografadas tornem-se vazias em emoção.

Apesar disso, o filme deve agradar o seu público, talvez pela mensagem de rebeldia contra o sistema atual, talvez pela mensagem de proteção às minorias. Em uma época em que ser diferente é ser descolado, em que os chamados “losers” se tornam protagonistas de seriados, um filme como esse possui coerência mercadológica.

P.S.: poderia falar da presença de atores que já provaram seu talento em outras obras, como Miles Teller, Ansel Elgort, Kate Winslet e Naomi Watts. Porém, o desperdício de tanto talento em personagens rasos impediu que as atuações fossem dignas de nota. Então, termino aqui essa nota.

Insurgente (Insurgent)
EUA / 2015. 119 min.
De: Robert Schwentke
Com: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Octavia Spencer.

Avaliação Gabriel Gaspar

Nota 3