Invencível

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13 de janeiro de 2015

Na nova investida de Angelina Jolie por trás das câmeras, o que logo chama a atenção são aspectos auspiciosos dos bastidores. “Invencível” tem roteiro escrito pelos irmãos Joel e Ethan Coen e é baseado na biografia homônima escrita por Laura Hillenbrand, um best-seller. A esse aparato de sedução, que inclui trilha de Alexandre Desplat (“O Jogo da Imitação” e “O Grande Hotel Budapeste”) e a música pop “Miracles” da banda Coldplay, une-se a camaradagem entre Angelina Jolie e o próprio ídolo que entroniza: o atleta olímpico e herói de guerra norte-americano, Louis Zamperini.

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Em “Invencível” Jolie retorna às trincheiras, ela já havia comandado uma trama de guerra com “Na Terra do Amor e Ódio” (2011), em uma narrativa guiada por um patriotismo embelezado pelos padrões hollywoodianos. Na introdução, Louis Zamperini (Jack O’Conell) já luta pela América na Segunda Guerra Mundial e seu passado, repleto de agruras, é exposto ao espectador por meio de flashbacks. Moço vadio, filho de imigrantes italianos, Louis descobre com a ajuda do irmão mais velho um talento que o diferencia dos demais ― pernas tão velozes que o alçam à condição de atleta nas Olimpíadas de Berlim, em 1936.

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O que mais impressiona na trajetória de Zamperini não é propriamente seu talento para o atletismo e tampouco atos de heroísmo dignos de um super-homem nos tempos de guerra. O que interessa aqui é o calvário de Louis Zamperini durante o conflito bélico, um sofrimento que começa com a queda de um avião militar e a deriva no pacífico que durou árduos 47 dias. Levando ao pé da letra a duração do sufoco, o filme quase naufraga ao se prolongar demais na sequência em alto-mar. Assim começa a construção do personagem como mártir supremo em nome da bandeira norte-americana. Tal objetivo, esse de praticamente canonizar Louis Zamperini, encontra o seu auge em terra firme, quando ele, excessivamente torturado pelo déspota japonês (Takamasa Ishihara), é “crucificado” em uma imagem de desafio final, e de libertação, pouco antes do fim da guerra. A eficácia da comunicação através da imagem, do plano, é o lado bom dessa questão. A vida durou muito para Zamperini, alguém que teve em muitas ocasiões a morte à espreita. Para a consternação de Jolie, ele morreu no ano passado, aos invejáveis 97 anos de idade. Se o filme como um todo parece um corpo sem fôlego, tão comum que parece saído de um molde já gasto, é o registro documental que fecha o “Invencível” com chave de ouro. Na ocasião, Louis realiza o sonho de correr no palco de seu sofrimento. Já idoso, ele carrega a tocha olímpica nas Olimpíadas de Inverno, no Japão, em 1998.

Publicity stills photography on the set of NBC Universal's Movie 'Unbroken'

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3