Jurassic World- O Mundo dos Dinossauros

O resgate da magia jurássica num parque altamente interativo

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12 de junho de 2015

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Quanto tempo deve se passar para que o misto de saudade e originalidade possa trazer de volta aos cinemas uma história que deu certo no passado? Sequências são formas de alongar uma franquia lucrativa. Já um Reboot reformula para ressuscitar a franquia que esteja esquecida ou datada. Não é um remake. E definitivamente o ano de 2015 é a cereja do bolo na fronteira entre estas duas definições. Filmes como “Mad Max”, “Terminator” e até “Star Wars” estão voltando e respeitando a linha temporal dos anteriores, mas são muito mais do que meras continuações, e sim recomeços para novas gerações. Neste mês de junho é a vez dos dinossauros originalmente de Spielberg voltarem em “Jurassic World: Mundo dos Dinossauros”, dirigido por Colin Trevorrow.

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O hype era grande, pois pior que o terceiro filme frio e sem identificação não se acreditava poder ficar. O difícil seria resgatar a imersão boquiaberta imbatível do primeiro sem parecer apenas um caça-níqueis interesseiro. E por grata surpresa ele consegue o impossível: recuperar a magia inicial e ser convidativo a novos e antigos fãs. A primeira decisão foi um elenco internacional que funciona como chamariz, como o indiano Irrfan Khan, e o francês Omar Sy, apesar de um pouco deixados de lado a partir de certo ponto. Mas foi com a escolha de Chris Pratt como protagonista que o reafirmou como o novo ídolo hollywoodiano em Ascenção desde a coqueluche de “Guardiões da Galáxia” e que o confirma agora como a melhor escolha para ser o novo “Indiana Jones”. Seu personagem destemido e oriundo da marinha foi chamado para treinar os veloceraptors, personagens já queridos da franquia, e eles somados ao bad boy Pratt compensam e até melhoram a geralmente bonitinha-mas-sem-sal Bryce Dallas-Howard como seu par romântico. Ela é a frígida e calculista diretora do parque agora aberto a milhares de visitantes por dia, tentando se reconectar com os sobrinhos que se perdem quando a nova atração jurássica, geneticamente modificada e inteligente, acaba à solta, tudo em meio aos variados interesses dos magnatas patrocinadores e do exército que deseja usar os dinos como arma em guerras.

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Estas novas inserções aproveitam até para brincar com o quanto o antigo vislumbramento com dinossauros já está datado, e por isso tudo tem que ser maior e mais feroz, analogia ao capitalismo selvagem, trazendo graves consequências. Deve o poder ter um limite? E isto é debatido em vários campos, como até dos próprios dinossauros, já que o conceito de macho alfa é debatido entre o equilíbrio do ecossistema e a imposição da sobrevivência do mais forte predatoriamente. Qual é mais forte?

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Com visual caprichado e altamente interativo, pela 1a vez na série em 3D, de fato não há nada novo, mas a reciclagem foi feita com carinho, como se acariciando um dos carnívoros na tela, só que desta vez sendo o público quem poderia morder e acabar com a franquia caso não aprovasse. Cheio de referências e homenagens, com novos personagens liderados por um enorme carisma Prattiano, realça todas as melhores características da série e dos répteis gigantescos, verdadeiras estrelas que perduram independente de elenco.

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 4