La Sapienza

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10 de setembro de 2015

O novo filme de Eugène Green (A religiosa portuguesa, 2009) continua imprimindo a sua marca: é um filme em que o que mais importa são os diálogos e a estrutura narrativa. Com estilo antinaturalista, sem improvisos, correto, reto e com planos frontais estáticos, Green nos faz achar a todo momento que estamos diante de uma peça de teatro. Mas não é. É cinema e dos bons.

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Em La Sapienza (2014) iremos conhecer a história de Alexandre (Fabrizio Rongione), arquiteto bem-sucedido, mas que no momento encontra-se sem inspiração. Para aprofundar-se no livro que está escrevendo, viaja para a Itália com sua esposa Alienor (Christelle Prot Landman), que também precisa respirar novos ares já que o casamento está passando por um momento meio nebuloso. Em Stressa, o casal conhece os irmãos Goffredo (Ludovico Succio), futuro estudante de arquitetura, e Lavinia (Arianna Nastro), que sofre de transtornos nervosos. A fórmula é aquela já conhecida: os quatro se conhecem e isso irá mudar suas vidas. Mas o que importa aqui não é a fórmula e sim o conteúdo.

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Neste filme, faremos uma viagem pelas catedrais italianas e não só aprenderemos um pouco mais sobre arquitetura diante das tomadas belíssimas filmadas e dirigidas com maestria pelo diretor com uma atitude de sublimação das obras, mas também sobre relacionamentos e visões de mundo. Um fato curioso é que Eugène Green tem por hábito repetir em seus filmes o mesmo elenco. Christelle Prot Landman e Alexis Loret estão em seus três primeiros filmes – Todas as noitesO mundo dos vivos e A Ponte das Artes. Diante disso podemos concluir que a moça seja provavelmente a musa do diretor já que ele novamente a utiliza como protagonista também aqui em La Sapienza.

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Com uma tentativa de retratar o estado real do presente através de enquadramentos milimétricos de sua câmera, o diretor nos dá esse belo trabalho que faz com que reflitamos acerca dos nossos medos reais e imaginários. Os segundos são aqueles produzidos única e exclusivamente pela sociedade e que muitas das vezes nos assombra e nos bloqueia infinitamente mais do que os medos reais, palpáveis.

 

Festival do Rio 2014 – Mostra Panorama do Cinema Mundial

La Sapienza (Idem)

França/Itália, 2014. 105 min.

De Eugène Green.

Com Fabrizio Rongione, Christelle Prot Landman, Ludovico Succio, Arianna Nastro.

Avaliação Samantha Brasil

Nota 4