Por Raphaela Ximenes
05/05/2008
A mostra RIOFAN finalmente ganhou os cinemas do Rio esse ano, depois de passar alguns anos existindo apenas na imaginação de Felipe Bragança, Fernando Veríssimo, Marina Meliande e Mario Azen. Como o monstro de Frankenstein, felizmente a mostra de filmes fantásticos (que engloba terror e ficção científica) criou vida e conquistou a cidade desde a última quarta-feira, dia 30 de abril, quando o cinema Odeon foi tomado por um público ávido por sangue. Pelo menos o que esguinchou do filme "Diário dos Mortos" (Diary of the Dead, 2007) última produção do mestre dos filmes de zumbi, George Romero.
Na verdade a mostra abriu com um presente para os fãs do gênero, já que a obra de Romero teve sua única apresentação dentro do RIOFAN neste dia e a produção está sem data marcada para estrear nos cinemas brasileiros, podendo ser lançada diretamente em DVD. Uma pena, pois "Diário dos Mortos" já pode ser considerado mais um clássico do diretor. George Romero que começou sua saga de zumbis com a trilogia dos mortos no fim da década de 60 e influenciou vários filmes do mesmo estilo que vieram em seguida, mostra do alto dos seus 68 anos porque é o mestre dos filmes de zumbi.
Primeiro que ele não enrola a audiência com uma historinha sobre alguma doença bizarra que tenha assolado o mundo, simplesmente seu filme já começa com uma família inteira despertando da morte na frente de uma câmera de TV, sem razão nenhuma. Daí, partindo da premissa que agora os mortos revivem e matam os vivos, então desenrola a trama principal. Um grupo de estudantes universitários está gravando no bosque perto da faculdade um filme de terror B, com direito a múmia e mocinha assustada, quando descobrem que o mundo virou o caos. Os mortos estão voltando e matando quem estiver vivo ainda, assim eles percebem que devem fugir o mais rápido possível e o "diretor" do filme resolve documentar tudo.
Assim, Romero mistura todos os clichês que são obrigatórios nesses filmes (sendo que a maioria foi criado por ele) a alguns novos elementos, como câmera na mão no melhor estilo "Bruxa de Blair" e mostra pros novatos como se faz um clássico filme de zumbis. O que despertou os mortos não importa. O que importa é que eles precisam ser exterminados e das maneiras mais esdrúxulas possíveis. Cabeças explodindo, tiros no meio da testa, foices e até ácido, tudo vale para que os heróis do filme consigam sobreviver. Claro que nem todos vão chegar ao fim, mas isso não é o mais importante e sim se o público está se divertindo.
O que importa é que o filme de George Romero deu o tom de como será o RIOFAN. Onde acontecerá uma homenagem a José Mojica Marins, o Zé do Caixão, no dia 08 de maio, no cinema Estação Botafogo. Uma mostra paralela de filmes baseados na obra de H.P. Lovecraft, como "Cthulhu", "Paradoxo Macabro" e "9 Vidas de Mara". Além da exibição de clássicos do cinema fantástico na Cinamateca do MAM. O RIOFAN está em cartaz na sala 1 do cinema Estação Botafogo, na caixa Cultural e na Cinamateca do MAM.
Site do evento: www.riofan.com.br




