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Entrevista com Eraldo Leite, presidente da ACERJ


Por Mario Abbade

Colaboração Érika Grijó e Gabriela Magnani

Fotos A.V.

06/05/2008

Nascido em Campos (cidade localizada no  norte do Rio de Janeiro), Eraldo Leite é um dos maiores cronistas  esportivos do Brasil. Sua bem-sucedida carreira como repórter esportivo começou em 72, na Rádio Continental de Campos. Três anos mais tarde, Eraldo decidiu estudar jornalismo para seguir adiante.  Nessas mais de três décadas de experiência, passou pela Rádio Nacional, Rádio Tupi e Rádio Globo (onde atualmente trabalha como apresentador do programa  Enquanto a Bola Não Rola). 

Na última terça-feira, após uma tumultuada eleição, Eraldo foi eleito o novo presidente da ACERJ (Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro).

Apesar do trabalho para lá de pesado, o jornalista arranjou um tempo na agenda lotada para falar com o Almanaque Virtual. Confira:

Almanaque Virtual: O que te motivou a se candidatar a presidência da ACERJ?

Eraldo Leite: Foi um consenso de muitos colegas. Havia muita reclamação de muitos companheiros sobre a maneira desorganizada que a ACERJ agia. Começamos a fazer reuniões em outubro do ano passado. Era uma reunião por mês. Nessas reuniões tratávamos de várias questões sobre a ACERJ. Descobrimos que a ACERJ não tem um plano de saúde para os seus funcionários, como também assistência funeral para os associados, entre outros benefícios que existiam no passado. Um exemplo é o curso de capacitação para os associados. Eu fiz um curso de italiano para ir à Copa de 1990 através de um convenio com a ACERJ. Isso não existe mais. A ACERJ se tornou uma associação de carteirinhas para o Maracanã. Já descobrimos dezenas de pessoas com carteirinhas que não são jornalistas. Tem gerente de banco, advogado, dono de oficina mecânica e postos de gasolina. É um absurdo. O meu nome saiu pelo grupo. Fechamos a chapa com eu de presidente e o Marcos Penido como vice. Poderia ser ao contrário ou até mesmo outros nomes do grupo.

AV: Como foi o processo eletivo?

Eraldo Leite: Resolvemos estudar o estatuto. Foi uma dificuldade conseguir um. O colega jornalista Loris Baena, achou um. Estudamos bastante o estatuto para organizarmos a melhor forma de agirmos durante a eleição. Descobrimos no estatuto que só os fundadores, os vitalícios, e os militantes (antigos efetivos) têm direito a voto. Os aspirantes não têm esse direito. Na teoria, provisórios são os colegas de profissão que ainda não tiraram seu registro profissional. No caso da ACERJ, tem colegas que já possuem o registro, mas não tiveram sua situação atualizada, pelo total caos administrativo. Tem também os provisórios que não trabalham na profissão. Esses são aqueles casos que conseguiram as carteirinhas para obter a vantagem de assistir aos jogos gratuitamente no local que deveria ser reservado para os jornalistas trabalharem. Esse derrame de carteirinhas também existe em vários municípios fora do Rio de Janeiro, como Volta Redonda e Campos.

AV: Isso deve ter gerado muita confusão no dia da eleição?

Eraldo Leite: Sim. Pois todos os provisórios não podiam votar. Com o estatuto nas mãos  exigimos do presidente da Assembléia Geral, Carlos Felipe Santiago, o cumprimento da norma e fomos prontamente atendidos. Nosso adversário ficou transtornado e passou a agir de forma descabida e truculenta. Percebia-se que ele queria instaurar o caos de forma que o tumulto o beneficiasse. Foi necessário chamar a policia para que a eleição pudesse acontecer. Após a chegada da policia, a eleição começou com três  horas de atraso. Quem chegou no horário, recebeu uma senha com direito de votar após as 18h00min. A eleição encerrou às 19h15min. Depois de apuradas   as urnas da capital, o presidente da mesa, Carlos Felippe , pediu as urnas do interior. Segundo o estatuto, o responsável pela guarda dessas  essas urnas era o Pedro Costa , então presidente da ACERJ , que simplesmente alegou que não sabia onde elas estavam. As urnas simplesmente sumiram. O presidente da mesa determinou que a assembléia permanecesse em aberto até que se obtivesse uma solução legal. Fui à delegacia e registrei o furto das urnas. Retornei com o registro e o presidente da mesa pode finalizar a assembléia anunciando a minha vitória.

AV: A eleição foi na ACERJ?

Eraldo Leite: Não. Com medo que os associados vissem o estado lastimável que se encontra o escritório da associação, Pedro Costa marcou no Maracanã.

AV: Você já tomou posse oficialmente, mas o escritório da ACERJ continua fechado. Por quê?

Eraldo Leite: O Pedro Costa mudou o cadeado e pediu para que os funcionários não aparecessem. Conversei com eles que isso poderia gerar abandono de emprego. O escritório vai abrir em poucos dias. Tivemos alguns feriados e os cartórios não funcionaram para que eu pudesse registrar os documentos. Estou fazendo tudo legalmente, amparado na justiça. De posse da documentação, se for necessário, irei lá com a policia e irei abrir o escritório, que irá funcionar normalmente para atender a imprensa esportiva.

AV: Depois de resolvido esses problemas, quais as medidas que você pretende tomar?

Eraldo Leite: Recenseamento de todos os associados da ACERJ. Isso vai demorar, pois vamos analisar caso a caso. Quem não tiver registro profissional, for estagiário de jornalismo ou um profissional que desempenhe as funções de jornalista ou radialista, não terá sua carteira renovada.

AV: Quais são suas futuras metas?

Eraldo Leite: A ACERJ deve quase 30 mil reais de condomínio no prédio que é localizada. Os funcionários não têm seus encargos trabalhistas recolhidos desde 1998. Isso é só a ponta do iceberg. Vamos fazer uma auditoria para saber o tamanho do rombo.

AV: Depois de descoberto o valor, como pretende pagar essas dividas?

Eraldo Leite: Vamos traçar uma estratégia junto com o grupo de amigos que se juntou para a eleição na ACERJ. Muitos colegas ofereceram ajuda. Vou  cobrar  essa ajuda. Tenho certeza que com o apoio de todos os associados, fora a ajuda de outros profissionais poderemos organizar a associação.

AV: O que o associado deve esperar no seu mandato?

Eraldo Leite: Moralização da associação. Um exemplo é a falta de compostura de pessoas que se dizem jornalistas na tribuna de imprensa. Todos precisam entender que tribuna de imprensa é local de trabalho e não para assistir jogo. Posso citar a decisão do Campeonato Carioca no domingo passado entre o Flamengo e Botafogo. Fiquei impressionado com a quantidade de gente que não é jornalista que estava lá por causa das carteirinhas. Esse pessoal ainda levou convidados. Outros levaram os filhos. Na tribuna da imprensa tem de tudo: comissão técnica, ex-jogadores e big brother, entre outros grupos. Até o Amarildo, jogador bicampeão do mundo pela seleção brasileira, pediu para assistir o jogo na tribuna de imprensa. Comentei com ele, que por seu passado glorioso, deveria estar assistindo o jogo na tribuna de honra ou a esportiva. Deu-me até pena da situação. Uma coisa é certa, vai ser muito trabalho e estou preparado para os desafios.