Por Carlos Castro e Érika Grijó
Colaboração Mario Abbade
02/06/2008
O Gigante Esmeralda vai fazer tremer a terra. Estréia na sexta-feira dia 13 O Incrível Hulk, dirigido pelo especialista em ação Louis Leterrier e protagonizado pelo especialista em boas atuações, Edward Norton. Com investimento de US$ 150 milhões, o filme tentará consertar a imagem arranhada deixada pelo Hulk de 2003 e reconquistar a confiança de seus admiradores.
O primeiro longa recebeu duras críticas dos fãs, que desaprovaram a falta de ação e o excesso de filosofia empreendido pelo cineasta taiwanês Ang Lee, responsável pela adaptação. O fracasso se refletiu nas bilheterias (faturou apenas US$ 245 milhões em cima dos US$ 137 milhões gastos na produção).
A Marvel tem a esperança de manter o herói verde nas telonas por um longo tempo, repetindo o sucesso da trilogia Homem-Aranha e do recém-lançado Homem de Ferro. Nesse espaço de cinco anos, companhia teve que readquirir os direitos do personagem para zerar a história e reiniciá-la, de forma parecida ao que aconteceu com a franquia Batman após o fiasco de Batman & Robin. O tratamento será parecido ao de Batman Begins, sucesso que recuperou o prestígio do Homem-Morcego.
A saga do atormentado cientista é fiel à história criada por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60. Bruce Banner (Norton) procura em todos os cantos do mundo a cura para a radiação de raios gama que envenenou suas células e libertou a brutal força do Hulk. Isolado no Rio de Janeiro - algumas cenas foram gravadas no Catete, Lapa, Ipanema e Floresta da Tijuca - longe de Betty Ross (Liv Tyler), a mulher que ama, Banner tenta escapar da obsessiva perseguição do General Thaddeus "Thunderbolt" Ross (William Hurt) e dos militares, que pretendem capturá-lo para explorar seus poderes. O que ninguém espera é o aparecimento do monstruoso Abominável (Tim Roth), cuja capacidade de destruição excede a do próprio Hulk. É nessa fogueira que o pobre cientista precisa fazer sua escolha: aceitar uma vida pacífica como Banner ou encontrar o heroísmo na criatura que guarda dentro de si.
Durante a Comic-Con de Nova York (que aconteceu em abril), estavam presentes Leterrier e os produtores Gale Anne Hurd e Kevin Feige. E foi Leterrier quem abriu o falatório: "Admito que não sou dos diretores mais ‘adultos, mas não é porque estou fazendo um filme de super-herói que ele será somente atraente para garotos de 13 anos", afirmou o francês, responsável pelas aventuras Carga Explosiva 1 e 2.
Ele admitiu ter ficado tenso ao saber da escolha de Norton para o elenco: "Estava muito nervoso. Soube de várias histórias de como ele tem opinião sobre tudo no set. Mas isso não aconteceu. Ele simplesmente quer que suas opiniões sejam ouvidas".
Além ser o protagonista, Norton foi eleito o roteirista do filme aos 45 do segundo tempo - a Marvel decidiu que o roteiro inicial de Zak Penn dava continuação ao Hulk de Ang Lee. "Quando criança, era um fã dos quadrinhos da Marvel. E adorava a encarnação mais antiga do Hulk e a série de TV. Sempre achei que os super-heróis são grandes mitos contemporâneos, na tradição da mitologia grega, na noção se suprimir seus demônios interiores. A idéia de reiniciar a saga foi irresistível", comentou, ainda na fase de pré-produção. Para Norton, a idéia de substituir o roteirista Zak Penn foi uma "condição essencial" para entrar na produção.
Nem tudo ocorreu como o previsto. O ator, conhecido por seu gênio difícil, acabou protagonizando uma briga sobre a duração do filme. Os produtores queriam cortar a duração para menos de 120 minutos, deixando o filme com cara de aventura juvenil e esquecendo a porção cerebral da trama. Norton bateu o pé e deixou claro que não cooperaria com a publicidade caso não mantivessem 135 minutos de duração. À Leterrier, sobrou o papel de mediador da briga. Dessa vez, Norton perdeu a batalha e optou por não participar da divulgação do filme.
Antes da confusão ele havia declarado que suas versões preferidas do personagem são as da série de TV protagonizada por Bill Bixby e Lou Ferrigno (que foi ao ar entre 78 e 82) e os quadrinhos antigos, o que obviamente influenciará seu roteiro. "Não tem nenhuma relação com o Hulk de 2003. É o início de uma franquia. Vamos começar nossa própria versão desse mito", disse, prometendo acrescentar à ação várias referências ao passado.
Lou Ferrigno, que em 78 apareceu coberto por uma espessa camada de tinta verde para dar credibilidade ao personagem, de certa forma, voltará a ser o Hulk. Em uma justa homenagem ao passado, o ator empresta sua voz ao monstro criado e desenvolvido por computação gráfica. Durante sua aparição na Comic-Con, Ferrigno estava radiante. Ao ser anunciado para a mesa de entrevistas, foi recebido com uma salva de palmas calorosas e, sorrindo, colocou um ponto final a qualquer tipo de dúvida: "Sim, eu estou no filme!".
O veterano lembrou alguns momentos sobre o seriado e comentou como foi trabalhar com Norton, desmanchando-se em elogios: "Conversamos muito. Ele reescreveu o roteiro, estava muito envolvido com o personagem. Norton não fez mais um filme, e sim o filme definitivo sobre Banner. Fiquei emocionado por saber que ele é fã do seriado e que muita coisa que criamos naquela época estará no filme. Ele me lembra muito de Bill Bixby [o Hulk do seriado], pois tem um físico parecido e uma personalidade parecida. Ter Norton nesse filme é como ter um selo de qualidade. Traz enorme credibilidade para o projeto".
Para acentuar o clima nostálgico, a Marvel comprou os direitos da canção The Lonely Man Theme, usada nos créditos finais do seriado. A composição de Joe Harnell ganha nova roupagem no piano de Craig Armstrong. Leterrier, que trabalhou na mixagem, explicou que a trilha sonora está "no nível da de Star Wars".
Antes mesmo da confirmação de Norton como protagonista, a equipe de efeitos especiais já havia criado o monstro em computação gráfica. Para acertar uma familiaridade entre seu rosto e o do ser computadorizado, os artistas adicionaram feições de Edward à criatura, como uma cicatriz na bochecha e um sinal acima da boca. O novo monstro digital será mais sombrio e soturno do que a criação de Ang Lee. Durante os debates da Comic-Con, a produtora Anne Hurd disse que Hulk segue a tradição dos lendários Corcunda de Notre Dame e Frankenstein. "Bruce Banner é um incompreendido. Agora temos a tecnologia para fazer o Hulk de forma mais humana. Estamos confiantes no trabalho de Kurt Williams, nosso supervisor de efeitos visuais. Dessa vez não teremos um Hulk de diferentes tamanhos e acho que os fãs ficarão felizes com isso", declarou. É bom lembrar que o mencionado Williams trabalhou na equipe de efeitos visuais de O Grinch, Quarteto Fantástico e (isola!) Batman & Robin.
Para encurtar a conversa e deixar o público confer algumas cenas inéditas do longa, Kevin Feige, que além de produtor é presidente dos estúdios Marvel, foi rápido e rasteiro: "Essa é a parte um, o começo de uma nova saga".
Após a apresentação dos trechos - sendo um deles muito especial, falamos sobre ele no final do texto - quem chegou à coletiva foi um aplaudidíssimo Tim Roth, o Abominável. O britânico, como de costume, roubou a cena, causando gargalhadas histéricas na platéia. "A briga entre o Abominável e o Hulk vai deixar todo mundo tenso. E o Hulk ainda vai ter que brigar com o exército, dessa vez sem a ajuda de cachorros radioativos", disse com um sorrisinho malicioso, referindo-se aos constrangedores poodles radioativos do filme de Ang Lee. Veterano em palcos e telas, Roth afirmou que o filme é "sombrio e divertido ao mesmo tempo". Em outras entrevistas, o ator declarou que a experiência foi "difícil", mas que "era importante ter um vilão à altura do Hulk. Com o Abominável, o Hulk não parece tão indestrutível assim. Ele acaba levando a pior".
Liv Tyler, a Betty Ross do filme, não pôde comparecer ao evento. No entanto, a atriz, fã do seriado, já havia afirmado na Comic-Con de San Diego (em 2007) que fora atraída pela "humanidade da história", aceitando o papel principalmente "pela abordagem sobre Bruce Banner e tudo que esse homem já teve que enfrentar. A história de amor entre eles emocionou muito".
Outros que representarão importantes personagens tirados dos quadrinhos são Tim Blake Nelson, como o vilanesco cientista Samuel Sterns e Ty Burrell, como o psicoterapeuta Leonard Samson, figura que já desfilou em diversas revistas da Marvel. O Todo-Poderoso Stan Lee também fará sua participação, para alegria de todos os nerds do planeta.
Em uma jogada publicitária muito esperta, a Marvel apostou no futuro e se deu bem: Robert Downey Jr., consagrado no topo das bilheterias com o blockbuster Homem de Ferro, fará uma pequena participação especial no longa, no final dos créditos. A medida antecipa o óbvio lançamento de um novo Iron Man além do tão aguardado Os Vingadores (possivelmente em 2011). Caso queira matar a curiosidade sobre o que acontece na cena, siga em frente. Caso contrário, é aconselhável que espere até o dia 13 e pule o próximo parágrafo para não estragar a cena.
No trecho exibido na Comic-Con, General Ross está em um bar, com "cara de poucos amigos". Aproxima-se dele então uma silhueta e escutamos a voz de Tony Stark (Downey Jr.), cumprimentando-o. E acontece uma conversa entre os dois.
Aparentemente, o esforço para renovar a imagem do herói verde foi grande. Na onda das adaptações de quadrinhos, a Marvel tenta ganhar uma nova geração de fãs, sem esquecer dos admiradores mais antigos. Por isso, fiquem atentos: algumas coisas estarão "escondidas" em forma de homenagem.




