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EM BREVE NOS CINEMAS

O sexo, a cidade, o amor e o glamour


Por Raphaela Ximenes

05/06/2008

 

A série "Sex and the City" que estreou em 1998 e durou seis temporadas, até 2004, influenciou o comportamento das mulheres do mundo todo durante sua existência. Não só a maneira de se vestir, como também o modo de agir em relação ao trabalho, família, amigos e principalmente relacionamentos amorosos. Recheada de bom humor, a série falava sobre amor, casamento, sexo, moda, amizade, e tudo mais que envolvia o universo feminino, sem meias palavras ou frescuras típicas de programas e séries voltadas às mulheres. Foi um divisor de águas não só para os shows dirigidos às mulheres, mas, também criou uma nova linguagem para as séries televisivas em geral.

 

Se no inicio as atitudes de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte, chocavam alguns, no fim, principalmente na última temporada, elas já ditavam moda, mostravam como a mulher moderna podia ser forte, decidida, mas ter seus momentos mulherzinha. É verdade que o fim "e viveram felizes para sempre" não agradou alguns fãs mais radicais da série, mas apesar do sarcasmo, a série mostrava que uma mulher podia ser independente, ter seu próprio espaço e ao mesmo tempo conseguir conquistar um amor, sem sucumbir a esse como uma dona de casa dos anos 50.

 

Charlotte casou-se com um advogado baixinho, careca, mas que ela amava muito, conseguindo a felicidade que sempre procurou. Miranda apesar da pose de durona, acabou cedendo aos encantos do namorado barman, pai de seu filho, que parecia não ter nada em comum com ela. Casou e foi morar no Brooklyn. Samantha, a eterna conquistadora, acabou sendo conquistada por um ator bem mais novo que ela. Já Carrie, foi até Paris com um novo amor, que não deu certo e acabou sendo resgatada por Mr. Big, voltando com ele para Manhattam. Assim, as quatro personagens, criadas por Candance Bushnell, que ganharam vida na telinha pelas mãos do roteirista e diretor Michael Patrick King, se despediam do público e dos fãs da série, que ficaram com um gostinho de quero mais.

 

Logo surgiu um boato de que haveria um filme com as quatro reunidas, mostrando o que teria acontecido agora que Carrie finalmente havia agarrado o Mr. Big. Porém, problemas apareceram. Sarah Jessica Parker (Carrie) queria passar um tempo com sua família e ao mesmo tempo parecia que ela e Kim Cattrall (Samantha) não se entendiam. Cynthia Nixon (Miranda) também não se mostrou disponível e Kristin Davis (Charlotte) parecia não ter opinião. O projeto foi posto de lado, mas não totalmente e depois de alguns anos de acordos e negociações, finalmente o que era apenas uma idéia aconteceu, haveria um Sex and the City, O Filme.

 

Quatro anos depois o projeto aconteceu, o filme foi realizado com todo o elenco original, inclusive Mr. Big (Chris North), Steve (David Eigenberg), Harry (Evan Handler), Smith Jerrod (Jason Lewis), Stanford (Willie Garson) e Tony (Mario Cantone), coadjuvantes tão importantes da série, estão presentes. A trama se adaptou a nova realidade das personagens, que não são mais moças de trinta e poucos anos tentando encontrar o amor em Manhattam. O amor elas encontraram, agora precisam aprender como mantê-lo.

 

Dirigido e escrito pelo mesmo Michael Patrick King que criou a série, o filme poderia cair na mesmice e se tornar mais um longo episódio da série original. Mas ele consegue ir além. Curiosamente, ao contrário da série ele se cerca de clichês para mostrar que por mais poderosas e glamourosas aquelas mulheres são, elas também sofrem por amor. Também se negligenciam por causa do casamento e o trabalho, mas acima de tudo que na verdade, a vida normal é lotada de clichês. Todos os elementos estão ali. Carrie, que parece ter um relacionamento perfeito com Mr. Big, que agora sabemos se chamar John, também quer se casar como a maioria das mulheres. Miranda tenta manter a pose, mas não consegue manter seu casamento. E Samantha, agora vivendo em Los Angeles, parece ter tudo e mesmo assim lhe falta algo. Só mesmo a eterna otimista Charlotte conseguiu manter sua vida perfeita, agora com uma filhinha de três anos também perfeita.

 

O glamour ainda desfila pela tela a cada cena, a cada vestido e traje usado pelas quatro estrelas do filme. Prada, Dior, Channel, Vivienne Westwood, Louis Vuitton, Gucci, Oscar De La Renta, Yes Saint Laurrent, Manolo Blahnik, Vera Wang e Christian Lacroix estão presentes em todo o filme, tanto nos trajes mais simples usados por Carrie em casa, quanto em um maravilhoso ensaio fotográfico que acontece durante o filme. Afinal, a série também se tornou sinônimo de bom gosto e alta costura. O que estava nas passarelas logo aparecia sendo vestido por uma das personagens e, por conseqüência, logo também pelas mulheres de Nova York.

 

Ao mesmo tempo, um dos poucos defeitos do filme é estar tão preso à série, o que tornará difícil ao público que não a acompanhou, entender algumas partes. Mas ao mesmo tempo, era impossível não estar preso a ela, já que para levar as quatro moças às telonas havia a necessidade de dar uma continuidade a história. Não cabia mais ambientar uma história naquela época, porque as personagens, assim como suas intérpretes, amadureceram e precisavam mostrar ao seu público o que acontecia depois do final feliz. Há falta de um pouco do sarcasmo da série original, mas ver Carrie e suas amigas bem mais humanas acaba sendo reconfortante. O que torna o filme bem mais "mulherzinha" do que a série jamais foi. Alguns pontos fracos, que não chegam a estragar o produto final que é o filme, que com certeza agradará aos fãs da série, mesmo os mais radicais. Ao fim tem-se a sensação de que ali acabou a sétima temporada da série e fica vontade de que venha logo a oitava.