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EM BREVE NOS CINEMAS

Rodrigo Santoro e Alice Braga falam sobre novo filme de Mamet


Por João Marcos Braga
Fotos de A.V.

19/06/2008

Ser um ator reconhecido no Brasil é muito difícil. Além disso, ainda buscar um reconhecimento internacional parece uma tarefa quase impossível. Só que como toda regra tem exceções, Rodrigo Santoro e Alice Braga conseguiram o que para muitos seria difícil, ter uma carreira nos Estados Unidos e trabalhar com diretores importantes do cinema americano. Em virtude do lançamento do novo longa de David Mamet chamado Cinturão Vermelho, Santoro e Alice Braga conversaram com o Almanaque Virtual sobre suas carreiras e sobre como é trabalhar com um cineasta do nível de Mamet.

Trabalhar com brasileiros nos Estados Unidos
Rodrigo Santoro: Apesar de eu e Alice estarmos juntos no filme, a gente não contracena, mas havia outros brasileiros na produção como Renato Magno, que é treinador de jiu-jítsu do David Mamet, entre outros. Mas é sempre bom conversar em português e ouvir português que é a minha língua. Trabalhando fora é difícil, mas gostei muito de fazer esse filme também por isso, pois há cenas em que eu falo português.

Como os dois se conheceram
Alice Braga: Bom, eu já conhecia o trabalho do Rodrigo da TV, das novelas e também porque "Bicho de sete cabeças" é um dos meus filmes preferidos. Quando me chamaram pro filme eu não sabia que o Rodrigo ia fazer, mas mesmo assim foi muito legal trabalhar com ele mesmo sem a gente contracenar.
Rodrigo Santoro: Eu dei um trocado antes para ela falar essas coisas (risos).Eu a conhecia também pelos seus trabalhos. Mas pessoalmente eu a conheci na academia do treinador do Mamet quando a gente treinava jiu-jítsu para o filme.

Trabalhar com David Mamet
Rodrigo Santoro: Cara, sinceramente trabalhar com ele foi uma experiência única, acho que foi nesse filme que eu me senti mais dirigido. O Mamet é uma referência por onde passa e o jeito dele trabalhar é muito minucioso. Ele me pedia em inglês para dizer algumas coisas em português. Ele tem uma forma muito especial de trabalhar; eu nesse filme trabalhei com ritmo. Ele tem uma coisa simples, essencial e básica.  
Alice Braga: O Mamet é um autor por excelência, ele vem do teatro e trabalhar com ele é um grande aprendizado. Ele é um autor clássico que cria e o ator diz as palavras.

A relação com o Jiu-Jitsu
Rodrigo Santoro: Eu sempre tive muitos amigos que lutavam, um deles até competia e eu fui muitas vezes assistir algumas lutas. Mas nunca tinha lutado de fato e, por isso, esse filme foi muito especial, pois tive mais contato com a luta e ainda tive a honra de treinar com o grande Gracie, que é um samurai. O Jiu Jitsu é um jogo de xadrez, pois você usa técnica, mente e corpo. E tem um valor muito raro que é a honra. É uma filosofia mesmo, pois eles trabalham muito com meditação e yoga. É exatamente como um treinamento de um samurai. Apaixonei-me pela luta e  treino de vez em quando.
Alice Braga: Eu fiz aulas apenas para compor o personagem, pois no filme faço a filha de um lutador, mas eu de fato não luto em Cinturão Vermelho. Mas gostei muito de ter treinador.

Atuar em inglês
Alice Braga: Para mim ainda é difícil porque você precisa pensar em outra língua e pensar na atuação. Mas já estou bem mais familiarizada.
Rodrigo Santoro: Para mim é um obstáculo, mas já falo com mais fluência pela prática. Eu nunca morei nos EUA, minha língua mãe não é o inglês.Quando eu fazia o "300", tinha uma cena que eu falava sozinho por um tempo grande e, em dado momento, eu comecei a ouvir a mim mesmo falando, e pensei quem está falando sou eu? (risos).

Dizer não para trabalhos
Rodrigo Santoro: Dizer não é importante. Eu mesmo já disse não várias vezes. Eu sempre penso em mim primeiro. Às vezes alguns projetos não batem comigo. Eu não faço nada pelo único motivo de me levar a algum lugar, eu faço as coisas que me façam felizes no momento. Eu não sou um business man, eu não penso em carreira; eu penso no que eu gosto e no que eu não gosto, e por isso eu já rejeitei trabalhos.
Alice Braga: Eu concordo com o Rodrigo. Eu às vezes rejeito por não ter tempo mesmo, mas muitas vezes porque não me identifico com o projeto. Eu busco coisas  novas em busca de ser verdadeira comigo mesma.

Trabalhos na TV brasileira
Rodrigo Santoro: Cara, eu tenho muita vontade de voltar a fazer TV brasileira, tenho saudade. Quase fiz "Capitu", do Luiz Fernando carvalho, mas por problemas de tempo não aconteceu. Mas vontade de querer voltar para TV eu tenho sim.

Alice mais conhecida por trabalhos em Hollywood
Alice Braga: Eu não me importo muito em ser conhecida, eu quero ter reconhecimento pelo meu trabalho. Claro que diferente do Rodrigo que fez várias novelas, eu devo ser mais conhecida pelo "Eu sou a Lenda". Mas eu tenho curiosidade de fazer uma novela e ter que moldar o personagem de acordo com público, como aconteceu agora com a Camila Pitanga e o Wagner Moura. Eu achei isso lindo e tenho muita curiosidade de vivenciar isso. Mas eu quase fiz "Belíssima" e "JK", mas não aconteceu por algumas questões de agenda.

Resistência a atores estrangeiros em Hollywood
Rodrigo Santoro: Cara, tá mudando muito isso lá. Desde primeira vez que trabalhei lá já mudou muita coisa, o mundo tá mudando e Hollywood muda junto. Hoje em dia nem sempre os atores latinos são estereotipados. E essa categoria estrangeira é complicada porque a concorrência é grande. Eu fiz uma comédia agora em janeiro chamada "The Post Grad Survival Guide" que quando me deram o roteiro para eu ver o que eu achava eu li que a descrição do meu personagem era de um inglês, aí eu perguntei sobre o sotaque e como eu iria fazer, aí me falaram que não precisa ser inglês, mas tinha que ser não-americano. No final, a diretora Vicky Jenson ("Shrek" e "O Espanta-Tubarões") achou muito legal um personagem escrito em inglês ser feito por um brasileiro.

Representar o Brasil lá fora
Rodrigo Santoro: É engraçado isso mesmo, quando eu fui a première de "300" em Londres eu tava entrando pelo tapete vermelho e, de repente, ouvi meu nome ser gritado e achei estranho quando eu olhei tinha uma parede de brasileiros e eu me senti muito emocionado porque realmente eu me senti um atleta. Mas tem que tomar cuidado, eu sou um ator que batalhou muito, que saiu de Petrópolis para virar ator. Eu me sinto bem com o carinho das pessoas, mas não tenho um título e não me sinto melhor que ninguém por isso.

Próximos trabalhos
Alice Braga: Eu estou no "Blindness" e adorei o filme. Eu já tinha lido o livro cinco anos antes do filme. E como o livro esse filme vai bater diferente para cada pessoa. Eu também estou no elenco de "Repossession Mambo", com o Jude Law, e estou também no "Crossing Over", com Harrison Ford. E vou fazer o "Cabeça a Prêmio" aqui no Brasil.
Rodrigo Santoro: Eu, no Brasil, ainda vou estrear "Os Desafinados", do Walter Lima Jr, que eu gostei muito.Tem esses filmes do Soderbergh sobre o Che Guevara, que são maravilhosos, porque o Benicio Del Toro está brilhante no filme. E tem essa comédia que eu já mencionei e ainda o "I Love Philip Morris", que eu estou fazendo nesse momento.