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EM BREVE NOS CINEMAS

Panorama do Cinema Francês: Satã


Por João Marcos Braga
23/06/2008

Não há como negar que em se tratando de cinema de terror os americanos dominam, e ainda mais nesse novo gênero de terror teen, que é muito comum nos dias de hoje. Claro que não se pode esquecer de que muitos dos filmes do gênero que foram sucesso de bilheteria nos Estados Unidos foram longas de formato importado, ou refilmados, do Japão, Coréia, entre outros países orientais. Mas mesmo dominando o assunto, os americanos ousam bem pouco nos filmes de terror voltados para adolescentes em que deixam a atração principal exclusiva nos efeitos e nos roteiros que são de certa forma simples, e se baseiam em reviravoltas que revelam os assuntos que ficaram em suspense até o final. Satã (Sheitan, 2006) é o típico filme de terror teen.

Utilizando-se de um roteiro super batido, o filme conta a história de cinco jovens que se conhecem numa boate e de lá seguem para casa de campo de uma das meninas. Essa é uma antiga fábrica de bonecas. Daí se vê que o cenário é perfeito para um assassino em série fazer história em Hollywood. Mas Satã é diferente. A diferença está na forma que o diretor Kim Chapiron utilizou, que é bastante ousada e interessante. A câmera do cineasta sente as emoções do filme, ela não fica de forma alguma passiva as ações, graças às utilizações de steadycam. Em alguns momentos a câmera acompanha o personagem de uma forma meio estranha também e com cortes velozes que fazem as ações ficarem muito mais tensas.

Na chegada a tal casa de campo, os jovens são recebidos pelo bizarro caseiro Joseph interpretado de forma brilhante por Vincent Cassel. O ator faz desse caseiro o personagem central do filme, primeiro porque é o vilão e segundo pelo contraste de caráter do personagem, que varia entre o cômico e o aterrorizante em diversas partes do filme.

Satã tem um toque de angústia misturado com suspense, pois os personagens que moram próximos ao casarão são para lá de estranhos e não entendemos muito bem qual é a deles. Com uma montagem moderna, a obra consegue renovar um gênero que tem ultimamente pouquíssimos grandes filmes. Satã parte de uma idéia já batida e, com bastante inteligência do diretor Kim Chapiron, constrói um cenário sombrio e com muitas possibilidades de suspense.

No final, o roteiro não se amarra como o esperado e acaba desanimando até, pois a explicação para os fatos fica meio sem sentido, e aí, então, acaba-se forçando a barra. Até mesmo porque, há duas pequenas reviravoltas que não surpreendem de maneira agradável. Mesmo assim, o filme tem um toque ousado e é mais um exemplo de uma boa renovação no cinema francês pop e comercial.