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EM BREVE NOS CINEMAS

Coletiva Os Desafinados


Texto e fotos por Marcus Vinicius de Medeiros

19/08/2008

Numa prova de que cinema nacional não se faz apenas de violência, humor questionável e celebridades em busca de atenção, Os Desafinados chega como um banho de esperança temperado pela boa música. Dirigido por Walter Lima, Jr. com produção de Flávio Tambellini, e estrelado por Rodrigo Santoro, Angelo Paes Leme, Jair Oliveira, André Moraes, Cláudia Abreu e Alessandra Negrini, o filme explora temas universais como amizade e relacionamentos amorosos no início da década de 1960, marcado pela Bossa Nova. Direção e elenco estiveram hoje numa coletiva de imprensa na qual falaram sobre o filme e o atual cenário do cinema no Brasil.

"Tudo no filme pode ser entendido como autobiográfico", disse Walter Lima. "É o retrato fiel de uma época vivida, ele reproduz experiências minhas e de grandes amigos". Sobre o fato de situar a história em momento específico que poderia não dialogar com a juventude atual, esclareceu: "é uma oportunidade para que todos conheçam. No México, por exemplo, um país que não teve ditadura, ficaram muito curiosos. O diretor fez questão de ressaltar, ainda, que sua história é essencialmente sobre sentimentos, e um elo de identificação está nos próprios personagens.

Seguindo a linha de filmes como 1972 e Pode Crer, Os Desafinados mostra uma visão mais otimista do Brasil, ainda que abordando questões como exílio político. "Acho muito bom que não fiquemos limitados a histórias de bala perdida. O Brasil é muito mais que isso", afirmou Walter Lima. "Temos várias trincheiras culturais, e com isso o país se multiplica". A questão do regime militar e da perseguição a artistas e intelectuais foi incluída por fazer parte da história brasileira, e não se pode esquecer o que ocorreu. O diferencial do filme, com certeza, é ligar tudo isso em torno do advento da Bossa Nova.

"É parte do que faz os estrangeiros visitarem o Brasil e se encantarem. A Bossa Nova carrega brilho próprio", comentou o diretor. Para o astro internacional Rodrigo Santoro, o maior desafio do filme foi aprender a tocar piano. "Comecei pelas aulas, e pude comprovar na pele a complexidade que sempre imaginei", confessou. "Então foram aulas todos os dias, começamos a tocar as músicas do filme, e o personagem nasceu dessa paixão", apontou Santoro. A interação entre o elenco resultou numa dinâmica colaborativa e relaxada. "Brincamos muito, pensamos em gravar músicas dos Desafinados, foi uma delícia", revelou Jair Oliveira. "Fizemos o filme e tocamos um som legal".

Rodrigo Santoro comentou também sua posição de símbolo sexual, e o fato de ser desejado pelo público do sexo feminino em grupos na internet. "Pode até massagear o ego, mas não me sinto melhor nem pior por causa disso. Meu foco é outro". Passando para a questão dos blockbusters hollywoodyanos, todos exaltaram a atuação de Heath Ledger no papel do Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas. "Porém, é uma indústria de cinema", disse Santoro. "Aqui fazemos tudo na marra". Ele disse também que não descarta novos trabalhos na linha de 300. "Não depende do gênero, mas sim do projeto", afirmou Santoro. Aqui no Brasil, ficamos com a satisfação dos acordes melodiosos e muito sentimento.