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EM BREVE NOS CINEMAS

Na Toca da Alice, realismo na nova série nacional da HBO


Por Tony Tramell

19/09/2008

A HBO lança sua nova série brasileira, "Alice", no próximo domingo. Terceira série do canal e a primeira filmada em São Paulo, as outras duas ("Mandrake" e "Filhos do Carnaval") foram filmadas no Rio. Alice em HD e com qualidade de cinema, seja pela produção ou pelos talentos dos diretores responsáveis, o cearense Karim Aïnouz ("O Céu de Suely" e "Madame Satã") e o baiano Sérgio Machado ("Cidade Baixa"). Talentos de sua geração e que aproveitam a união da linguagem cinematográfica com a TV, uma idéia que tinham desde o embrião da série. A série toda filmada em locações tem custo por episódio em torno de R$ 1 milhão e como no canal, não faltou ousadia, nas temáticas envolvendo drogas e sexo. A série mostra ícones da cidade como o prédio do Banespa (uma espécie de Empire State da cidade), Edíficio Copan e transita também pelo submundo, como a Praça Roosevelt, reduto de travestis e garotas de programa. Tudo com realismo e uma visão singular, um olhar muitas vezes "estrangeiro", um olhar de quem é de fora da cidade. 

A trama contada inicialmente em uma temporada de 13 episódios gira em torno da protagonista Alice, que dá nome a série. Uma garota de Palmas, de 26 anos, que, como sua homônima do clássico de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, atira-se na toca do Coelho, ou seja, a metrópole de São Paulo. A trama fascina a protagonista e quase toda a equipe de produção, formada por não-paulistas.  Durante a coletiva, boa parte de atores e membros da produção expatriados puderam se definir como "Alices", seduzidos pela vida pulsante de São Paulo. Junto com todo o elenco e responsáveis pela produção, foi realizada a coletiva de Alice, em São Paulo.

Almanaque Virtual: Como é ver o projeto finalizado?

Sérgio Machado: Vi várias vezes no processo de montagem. Tô completamente impactado.  HBO não é tevê, é cinema. A gente não abriu mão do acabamento visual e da qualidade da interpretação do elenco, exatamente como fazemos em nossos filmes.

Karim Aïnouz: Vendo pela primeira vez fora da sala de montagem, fica claro que é uma série de personagens. Como queríamos, com personagens que corressem sangue nas veias. Tenho que agradecer ao elenco.

Guta Ruiz: Eles mostram ambigüidade, contradições, do contrário, seriam só tipos.

Fabiano Gullane: Foi uma entrega vertical, quase dois anos de troca de idéias. É bom ver o final desse ciclo.

AV: De onde veio a inspiração para a história?

Karim Aïnouz: Quando a série foi pensada, já tínhamos a idéia de transformar São Paulo em protagonista. Então resolvemos fazer algo tipicamente paulistano que é trazer alguém que não seja daqui (São Paulo). O desafio  foi trazer a cidade para dentro da história, e não mostrá-la apenas como plano de personagem.  A cidade é generosa, devido ao movimento incessante, a cidade tem muitos relevos, muitos planos de ação, como o carnaval . Onde você aponta a câmera, há um plano de ação. Em cada episódio, Alice descobre uma nova faceta de São Paulo. Nosso desejo era também contar um pouco da história da cidade.

AV: Como foi sua preparação para ser Alice?

Andréia Horta (que fez JK e faz a novela Chamas da Vida): Foi intenso e tive três semanas de preparação. Fui a última a chegar e precisava nos dois episódios achar a Alice, encontrar no seu desamparo. Trabalhava doze horas por dia, com uma folga por semana, depois de um tempo, seu inconsciente já tá naquilo. Naqueles nove meses quase não vi minha família. 

AV: Quais as perspectivas de mudanças na produção pelo formato usado nessa produção independente para a HBO?

Fabiano Gullane (produtor): O Brasil ta se equiparando a vários tipos de produção igual a outros países. Oxigenando nosso setor audio-visual. A HBO ta aí. Vai ser positivo para a evolução da qualidade de conteúdo. Um modelo no Brasil de produção independente com diretores independentes é muito bom, porque injeta e faz bem ao conteúdo áudio-visual. Historicamente toda a produção brasileira sempre foi feita pela pela própria televisão.

AV: O que mudou desde a fase embrionária do projeto e o que você diz da sua personagem?

Andreia Horta: Primeiro você tem uma vaga idéia. Os roteiros foram surgindo. Era uma obra aberta.  O destino foi levando. Ela tinha uma normalidade. Ia casar. Depois ela não tem sonhos, vai se achando no caminho.

Regina Braga: Você vai tendo um olhar carinhoso. Você fica orgulhosa de ver São Paulo, de uma forma fugindo de preconceitos. Meu personagem cresce muito ao longo da série.

Carla Ribas: Eu gosto que não tem a coisa chapada. Minha personagem tem uma coisa de perua, mas no segundo episódio você vê o lado humano de quem se preocupa. Ela se desmonta no final do segundo episódio. Não tem nada chapa, não tem herói nem vilão.

Silvia Lourenço: Eu entro como uma vizinha no quarto episódio e vou até o final. Disse antes que minha personagem era o lado cômico, mas mudou bastante. Ela vai ser meio que adotada pela família de Alice e considerar a Alice meio que irmã. 

AV: Qual o investimento e existe plano para filme?

Miguel Oliva: Ainda é cedo, estamos indo para a segunda temporada de "Filhos do Carnaval" (Mandrake também teve sua segunda temporada). Sex and The City que é uma produção da HBO americana teve várias temporadas até virar um filme, ainda é cedo.