Por Daniel Schenker Wajnberg
12/12/2008
Numa perspectiva assumidamente reducionista, o cinema argentino contemporâneo parece seguir duas correntes: a dos chamados filmes humanitários, que propõem uma comunicação direta com o espectador, a exemplo de "O Filho da Noiva"; e a dos voltados para uma refinada pesquisa sensorial, valendo citar os três trabalhos de Lucrecia Martel - "O Pântano", "Menina Santa" e "A Mulher sem Cabeça". Na tentativa de ampliar o horizonte em relação à produção do país, Mario Paz apresenta uma pequena mostra, intitulada "Vitrine Argentina", em cartaz no Estação Botafogo 1.
"São quatro filmes que se destacam pela construção dramatúrgica e pelo trabalho de interpretação dos atores", afirma. "A leveza é outra característica comum entre eles", complementa Mario, evocando a grande quantidade de obras, realizadas em décadas passadas, centradas na temática da ditadura militar, como a excelente "A História Oficial". No que se refere à maior parte das produções argentinas exibidas atualmente, Mario não detecta a adesão do público. "Os filmes vêm conquistando prêmios, mas não platéias", opina.
As quatro produções que integram a mostra foram selecionadas pelo Instituto Nacional de Cinema Argentino (INCA), cuja sede brasileira é no Grand Cine Bardot, único cinema de Búzios, que centraliza a programação do festival da cidade capitaneado pelo próprio Mario Paz. Entre os trabalhos selecionados, um deles, "Você nunca esteve tão Adorável", permanece inédito até na Argentina.
Filmes:
"Motivos para não se Apaixonar", de Mariano Mucci - Clara é uma garota sem sorte. Ela costuma passar seus dias na solidão de uma rotina de telemarketing e sonha com uma vida melhor trabalhando em outro emprego. Em sua intensa busca por um relacionamento amoroso minimamente bem-sucedido, começa um romance infeliz com Axel, mas logo é vítima de traição. Clara, agora ex-namorada, se vê obrigada a sair do apartamento que dividia com ele, mesmo sem ter para onde ir. De repente, aparece na sua vida um homem misterioso, a quem apelida de Teo, que a convida para morar com ele.
"Você nunca esteve tão Adorável!", de Mausi Martinez - Blanca tomou duas decisões. A primeira, há 20 anos: sair da pobreza de Barracas para casar-se com Salvador, um homem bom, proprietário de uma oficina mecânica, que a levaria para morar em um moderno apartamento em Olivos, muito perto da residência do presidente, como ela sempre sonhou. A segunda decisão, quase 20 anos depois, marca o ponto de partida dessa história: mudar os móveis velhos herdados de seu casamento por outros mais em sintonia com a época: 1955.
"Na Velocidade, a Origem do Esquecimento", de Marcelo Schapces - Olmo, um jovem de 24 anos, vive num mundo longe da realidade construída pela obsessão de seu pai, que coleciona, armazena e classifica todos os tipos de objetos sem sentido aparente. Mas a presença cada vez mais distante de sua mãe mudou os destinos deles para um caminho surpreendente.
"Amorosa Soledad", de Victoria Galardi e Martin Carranza - Depois de ser abandonada pelo seu namorado, Soledad resolve ficar sozinha nos próximos três anos para evitar outra desilusão amorosa. Mas tudo parece trabalhar contra sua decisão. Hipocondríaca, ela conhece um homem e, surpreendentemente, as coisas começam a fluir de uma maneira inesperada quando o seu ex resolve procurá-la de volta.

