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EM BREVE NOS CINEMAS

Fragmentos de uma realidade e atrizes medianas em cena


Por Herbert Bastos

10/02/2009

 

Hospital da Gente é o mais recente espetáculo do paulistano grupo teatral Clariô. Representado somente por atrizes, a peça conta a história de mulheres comuns, que vivem abaixo da linha da pobreza. O texto, sem dúvida, é muito rico no quesito expor ao público o cotidiano de mulheres que nunca estudaram em escola alguma e possuem uma espécie de conformismo com a baixa qualidade de vida que levam.

 

Sendo assim, afirmo, o texto de Marcelino Freire é muito popular e na mesma proporção, pouco instigante. Hospital da Gene reflete situações que não correspondem com a realidade brasileira atual. O autor usa fragmentos da realidade para questionar o descuido dos governantes com os mais pobres. Mas mesmo assim, percebo que a dramaturgia de Marcelino apresenta muitos clichês, inclusive nos textos melhor desenvolvidos.

 

Quem melhor se destaca nesse espetáculo é a atriz Naruna Costa. Os monólogos que ela representa são os que mais causam comoção em quem a vê em cena. Tanto quando representa a mulher do lixão, quanto a mãe que ao perder um filho diz não gostar da paz. Essa cena faz uma alusão a lavação de roupa suja em praça pública, num dialogo dessa mãe consigo mesma. A emoção que Naruna passa quando representa, é mérito do diretor Mário Pazzini? Não acredito.

 

Naruna transmitiu segurança todas as vezes que entrou em cena, sem dúvida ela é a mais talentosa. Já as atrizesAlaissa Rodrigues; Janaína Batuíra; Jusy Nonato; Maira Galvão; Martinha Soares e Naloana Lima Oliveira pareciam perdidas e apresentaram gestos e ações desnecessárias em cena. A direção cênica de Mário deixa muito desejar. Faltou melhor exploração de nuances do texto que foram mal transpostas na interpretação das atrizes.

 

O trabalho de Mario funciona melhor  quando ocorre a discussão entre duas personagens distintas: a típica evangélica e a prostituta de beira de estrada. Já quando o assunto é cenário ou figurino, o desastre é total: cores usadas de forma errada; Ambientações que  reproduzem mal a arquitetura de barracos das favelas ou assentamentos sem terra; Iluminação que não aguça a imaginação do espectador, isso sem falar da falta dela no momento da intenerância do público.

 

Mesmo com esses problemas apontados, alguns espectadores pareceram gostar muito do espetáculo. Quem tem hábito de assistir bons espetáculos, dificilmente irá gostar de Hospital da Gente. Mas se quiser, literalmente, pague para ver,depois não diga que não avisei.

 

Serviço:

Espetáculo: Hospital da Gente

Teatro Arena Caixa Cultural -  Av. Almirante Barroso, 25, Centro - RJ

(21)2544-4080 / 2544-7666 / 2544-1099

Temporada:De 05 a 15 de Fevereiro de 2009 - quinta a domingo

Horários: 5ª a sábado 20h e Domingos 19h

Entrada - R$10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

Classificação - 12 anos

Duração: 1h40

Capacidade: 100 lugares

Acesso para portadores de necessidades especiais

Informações:  www.caixa.gov.br/caixacultural