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Léo Moura elogia torcida do Fla


Por Marcolindo Toledo - O colunista sem medo
04/08/2009

Sinceramente ando comovido com as declarações de amor destes artistas da bola pelos seus clubes de coração. E ainda existem os maus torcedores, ingratos por natureza, que pagam uma mixaria, entram quase de graça nos estádios, para vaiar e ofender jogadores. Tudo por puro complexo e frustração desses marginais que com dor de cotovelo queriam, sim, estar no lugar deles no gramado. Domingo último a injustiça se deu contra o lateral direito Léo Moura do Flamengo. Fiquei pasmo com o que vi. Um rapaz simples, humilde e que segundo fontes secretas que possuo, abdicou da vida sexual para dedicar-se ao rubro-negro da Gávea. Um descalabro tudo isso. E olha que na segunda-feira ele ainda se dispôs a se desculpar com a torcida. Não vi necessidade alguma disso. Todos viram pela leitura labial e eu, por curiosidade, conferi nos compêndios do Bocage, que Leozinho dizia com clareza: Vão se benzer! Vão todos tomar um suco! Palavras lindas. Provas de amor à torcida e após empatar a partida contra o Náutico, ainda lembrou-se dela e fez tais sugestões positivas aos torcedores.

Lembro do ocorrido com o zagueiro André Luis, na época jogando no Botafogo, quando num ataque de paixão pela sua torcida e cansado de ouvir os gritos da arquibancada pedindo cartões ao juiz para coibir a violência adversária, resolveu fazer justiça com as próprias mãos, tomando o cartão do árbitro e atendendo à vontade popular. Hoje a torcida nem se lembra mais dele. André Luis joga no modesto Barueri, e não vi sequer uma homenagem da torcida alvinegra com esse disciplinado e exemplar atleta.

Bom lembrar ainda do volante Cristian, ex-Corinthians, que após a marcação de um gol, teve um gesto duplo de carinho e solidariedade. Numa atitude esportiva, Cristian correu em direção a sua torcida e, de dedos cruzados em riste, ofereceu o gol marcado as duas torcidas, num sonoro "aqui ó!" referindo-se aos dois lados do estádio, numa homenagem inédita e nobre.

Quantas e quantas vezes vi Wanderlei Luxemburgo à beira do gramado gritar salmos e versículos a seus jogadores, no intuito de animá-los e mexer com a fé e o amor próprio de seus comandados. Muitos pensam que não, mas dentro das quatro linhas ainda se vê cenas de profundo respeito, amizade e humanidade, como a que assisti nas finais do Estadual do Rubinho de 2009 entre os jogadores Juan e Maicossuel. Foi pra lá de emocionante aquela cena.

 Resta saber, quando esse bando de idiotas travestidos de torcedores, irão aprender a dar valor, a compreender o amor à camisa que estes bravos atletas têm por seus clubes. Muitos deles com salários mínimos em atraso, outros jogando por puro prazer e devoção, recebendo salários de fome e passando por situações humilhantes em nome de um bando de vagabundos ingratos.


Léo Moura extravasa sua paixão pela torcida do Fla


Wanderlei Luxemburgo cita versículos em pleno gramado


Cristian homenageou as duas torcidas


Juan pergunta carinhosamente se Maicossuel está bem


No Botafogo, André Luis deu cartão amarelo ao juíz em nome da torcida