Por Daniel Russell Ribas
10/08/2009
Há certos filmes que são conhecidos como "uma piada única". No caso, a situação é estendida de tal maneira que se torna a trama em si. Geralmente, esta expressão é utilizada num sentido negativo. No caso, algo que é esticado muito além do necessário, tirando a graça e desperdiçando o potencial da ideia. Apesar de consistir em uma única piada, O guia de sobrevivência a zumbis, de Max Brooks, não carrega o significado pessimista normalmente relegado. Pelo contrário, o livro, no lugar de arrastar seu mote, o explora de maneira interessante e pouco usual.
Dividido em sete capítulos, uma introdução e um apêndice, o livro segue à risca a premissa anunciada no título. Com o intuito de ajudar cidadãos comuns a identificar e se protegerem de ataques de mortos-vivos, o guia descreve em linguagem acessível e explicações diretas das características envolvendo estes seres assassinos, sua origem, a melhor forma de defesa e fuga e um índice de ataques registrados através da história.
Em resumo, a grande vantagem de Brooks é que ele leva seu livro absolutamente a sério. A atenção a detalhes é a maior evidência disso. O autor descreve o vírus que teria originado a praga, as diferenças entre os tipos de zumbis e ataques com tamanha veemência que um leitor mais desatento poderia até acreditar. A forma como o autor elabora este mundo mostra como ele se dedicou à sua construção, tornando a brincadeira ainda mais saborosa. Talvez os fãs mais radicais questionem algumas opções de Brooks. Um elemento controverso é a identificação de um vírus como o fator que causa as ressurreições. No entanto, diversos filmes já fizeram algo semelhante e as regras são constantemente reinventadas. O autor apenas acrescentou mais alguns dados na instável mitologia zumbi.
É uma leitura divertida, embora seja mais indicado para os fãs. Brooks não se esquiva de descrições nauseantes e pessoas mais sensíveis podem se incomodar. Um exemplo é quando relata o sistema digestivo de zumbis.
Autópsias realizadas em mortos-vivos neutralizados demonstraram que a "comida" dessas criaturas permanece em seu estado original, sem ser digerida, durante todas as fases da digestão. Este material parcialmente mastigado e em lento processo de apodrecimento continuará a ser acumulado enquanto o zumbi devorar mais vítimas, até que seja forçado pelo anus, ou que literalmente provoque a explosão do estômago ou dos tubos intestinais.
A tradução de Amanda Orlando e Gabriela Fróes mantém o tom pseudo-sério e explicativo do manual, o que potencializa sua ironia. Um grande presente para admiradores do cinema e literatura de gênero fantástico. Falta esperar que o livro "ressuscite", pois, infelizmente, a primeira edição está esgotada. E que venha a versão brasileira de World War Z!
Serviço
Título: O guia de sobrevivência a zumbis
Autor: Max Brooks
Páginas: 326
Preço: R$ 36
Editora: Rocco
