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Futebol é um jogo duro


Por Américo Torquato
13/08/2009

Créditos fotos: Lancenet

Futebol é mesmo um jogo duro. Duro de ver, de jogar... enfim: futebol é mesmo pra macho. Vou escrever algumas linhas sobre o assunto pra vocês, leitores do Almanaque Virtual, a pedido do meu amigo Marcolindo que, cheio de compromissos importantes, não pôde fazer a coluna semanal. Ele disse que semana que vem, antes do próximo recesso parlamentar, estará de volta ao nosso convívio. Adianto pra vocês que seus compromissos são: uma ida ao Senado, a convite do Sarney, mas sobre esse encontro não posso revelar nada, pois trata-se de um ato secreto, e outro com Sua Eminência Bispo Edir Macedo, para um bate-papo informal sobre a proposta desse bondoso senhor, que consiste na cobrança de 15% sobre os ingressos nos jogos de futebol. Normalmente, vocês sabem, sua santidade cobra 10%, mas como é área esportiva, os outros 5%, em mais um ato de extrema caridade, serão  destinados ao meu amigo e irmão Marcolindo Toledo.
Mas, vamos ao que interessa que é futebol, e futebol são bolas no saco. E como disse no início, futebol é jogo de macho. Com entradas viris, por trás ou pela frente, choques na cabeça, lançamentos em profundidade, toques curtos ou mesmo enfiadas magistrais, enfim, futebol além de duro, tem sim, algo sexual envolvido nesse nobre esporte bretão. Pra ilustrar esse breve comentário nesta edição, vou apresentar pra vocês com a mais absoluta exclusividade, uma entrevista com o novo ídolo tricolor, o boxeador e jogador Fábio Santos, que na companhia de seu cão Pit Bull, muito simpático dócil e solícito me atendeu num furo que consegui nesta madrugada em sua confortável residência pertinho de uma das casas do Adriano do Flamengo, ao lado de uma clínica psiquiátrica no Morro dos Prazeres.

Vamos à entrevista:

Torquato: Fábio Santos, boa noite, tudo bem?
Fábio:      Bom dia! Não viu que tá amanhecendo, idiota?
Torquato: Você é natural de que lugar do país?
Fábio:      Não tá vendo que eu não sou natural, sou artificial!
Torquato: Fale-me de sua infância, do início de sua carreira no futebol.
Fábio:      Eu não tive infância, parceiro. Quanto à carreira, nunca fui chegado, mas tô sempre ligadão e esperto, sacô?
Torquato: Quais seus brinquedos ou brincadeiras prediletas quando criança? O que mais o atraía?
Fábio:     Bem, brinquedos o meu primeiro foi um taco de baseball e depois um tchaco que ganhei do Bruce Lee. No quintal da minha casa tinha uma cerca de arame farpado, onde nas brincadeiras de pique e nas primeiras peladas, eu adorava dar uma chegada nos colegas e vê-los agarrados por lá.
Torquato: Em quem você se espelhou quando criança? Quem eram seus ídolos?
Fábio:      Chuck Norris, Mike Tyson e Ryan Gracie.
Torquato: Marcolindo me disse que seu filme predileto é "Tropa de Elite", certo?
Fábio:     Quem disse que eu gosto desses boiolas? Sou jogador, cara! Gosto é de "Navalha na carne" e "Exterminador do futuro".
Torquato: Eu soube alguns detalhes dos seus primeiros chutinhos quando garoto, me fale sobre eles.
Fábio:     Sim, eu tinha poucas oportunidades nas peladas de rua, mas quando tinha alguma brecha, treinava em casa mesmo, entrando duro na canela da minha babá, nos meus irmãos e em alguns vizinhos que iam a nossa casa.
Torquato: Consta na sua ficha, que sua primeira expulsão foi num jogo contra o time da paróquia local. Pode nos contar um pouco sobre isso?
Fábio:     Conto, mas houve muita balela sobre essa expulsão. O padre que me batizou, a pedido da minha mãe, promoveu um jogo contra a turma da minha escola e os seminaristas para me aproximar um dia, caso me tornasse um jogador profissional, do prêmio Belfort Duarte. Mas o jogo tava entediado e chato demais. Tava zero a zero, quando faltando 5 minutos para o final, eu cheguei um pouco mais forte no coroinha e fraturei a tíbia e o perônio dele. Aí o palhação do juiz, só pra aparecer, me expulsou. E olha que eu não tinha nem o amarelo. Uma injustiça aquilo.
Torquato: Você falou num jogo zero a zero, foi assim como o Fla X Flu de ontem?
Fábio:      Não, o de ontem foi uma puta injustiça. Jogamos mais e aquele baitola do Pet 0,5l, veio dizer que eu fui violento. Pô, minha tentativa era um wazári, não um dedo nos olhos.
Torquato: Por fim, seja sincero, quem você mais gosta e menos gosta no Fluminense?
Fábio:    No Fluminense só gosto do Renato Gaúcho, do Espinosa e do Branco, porque eles adoram assar uma carne. E detesto o tal do Celso Barros. Esse negócio de plano de saúde tira toda a emoção do futebol. Fui!

Neste momento tive que terminar a entrevista porque já eram 5h da manhã e Fábio Santos saiu correndo pra iniciar seu treinamento matinal, que consiste em uma musculação pouco comum: carregar todos os corpos espalhados pela favela à noite para o IML.


Futebol é um jogo duro mesmo


Às vezes é necessário chegar um pouco mais duro


O bom do futebol é sua total transparência


Encontros casuais nem sempre são violentos


No amistoso de ontem, Dátolo e Maradona provaram que ainda existe amor no futebol