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EM BREVE NOS CINEMAS

Sacha Baron Cohen, um camaleão controverso


Por Raphaela Ximenes
13/08/2009

Em 2006 Borat Sagdiyev, um repórter cazaquistão, que foi até os EUA realizar um documentário, tomou o mundo de assalto. Borat era um dos muitos alter-egos do inglês Sacha Baron Cohen, que se tornou um dos atores mais comentados dos últimos três anos. Borat alegrou e incomodou muita gente, levando o ator a enfrentar vários processos. Porém tudo indica que a confusão valeu a pena, porque Baron Cohen volta aos cinemas com outro personagem controverso, Brüno.

Nascido na Inglaterra em 1971, Sacha Baron Cohen foi criado perto de Londres com seus dois irmãos em uma família judaica tradicionalista. Estudou História em Cambridge, onde escreveu uma tese sobre o envolvimento dos judeus no movimento de Direitos Humanos Norte-americanos. Também durante a faculdade Baron Cohen estudou artes dramáticas e atuou em várias peças.

Logo após sair da faculdade, Sacha trabalhou como modelo aparecendo em várias revistas de moda, na mesma época em que trabalhava para um canal de televisão a cabo. Desde essa época já era controverso e acabou sendo demitido. Em 1995 Baron Cohen criou um vídeo onde era Kristo um repórter albanês, como tentativa de conseguir um papel na série de TV "The Word". Ele acabou conseguindo um programa próprio entre 95 e 96 chamado "Pump TV".

Em 2000 o público britânico era apresentado ao rapper Ali G, personagem de Cohen que tinha seu próprio talk show. Ali G chamou atenção da cantora Madonna que o convidou a participar do vídeo da música "Music". Com o filme "Ali G Indahouse", de 2002, Sacha Baron Cohen chegava a América do norte e seu programa passava a ser produzido nos EUA.

Conhecido apenas por um pequeno público nos EUA, já que seu programa era exibido pelo canal a cabo HBO, Sacha Baron Cohen conseguiu que seu personagem Borat não fosse reconhecido enquanto realizava o falso documentário Borat: o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América de 2006. Caracterizado como Borat, Sacha conseguiu aborrecer vários grupos étnicos, religiosos e até um país inteiro, o Cazaquistão. O seu personagem misógino e preconceituoso era na verdade um reflexo do país onde agora Sacha morava. Felizmente a grande maioria entendeu a piada e o ator se tornou um dos fenômenos de 2006, conseguindo, inclusive, ganhar o prêmio Globo de Ouro de melhor ator de comédia, em 2007. Além do prêmio, o filme "Borat" foi uma das maiores bilheterias de 2006.

Com o status de grande celebridade do mundo cinematográfico mundial, Baron Cohen parecia ter sossegado, enquanto participava de filmes como "Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet", de 2007 e dirigido por Tim Burton e "Madagascar 2", de 2008, dirigido por Eric Darnell e Tom McGrath. Mas Baron Cohen ficou quieto por pouco tempo.

Aproveitando sua experiência no mundo da moda, no começo de sua carreira, um outro personagem do ator chega aos cinemas esse fim de semana, Brüno. O filme que tem o mesmo nome do personagem, mostra ao mundo o apresentador de um programa de moda austríaco e gay. Brüno era um quadro do programa de "Ali G Show" que acabou se tornando querido e popular, apesar de ser tão controverso como Borat. Mais uma vez Sacha Baron Cohen usa o ridículo para criticar a sociedade e o mundo da moda. Sua estréia nos EUA foi bem recebida, porém nada similar a "Borat".

Depois de aparecer como Brüno vestido de anjo da grife Victoria Secrets no prêmio Music Awards da MTV norte-americana e ser capa da tradicional revista de moda masculina GQ, onde aprece nú, Sacha avisou que irá aposentar seus três personagens e começar a se dedicar a novos projetos. Porém Sacha Baron Cohen não é apenas um comediante, que parece não levar as coisas muito a sério, pelo contrário. É notório seu engajamento com a comunidade judaica, assim como as causas relacionadas às minorias. Por essas razões é engraçado quando ele é criticado e acusado de homofóbico, anti-semita e até mesmo misógino. A verdade é que Sacha Baron Cohen incomoda por não se levar muito a sério, por tocar em feridas antigas com bom humor e a dose certa de sarcasmo, mostrando ao mundo que ri de si mesmo é a melhor opção.