Por Marcolindo Toledo - O Colunista sem medo
24/08/2009
Livre da mola que tanto o incomodava, vocês imaginem o que é uma mola daquele tamanho, enferrujada e solta no acento do carro do melhor piloto de Fórmula 1 da história, depois de Satoro Nakajima, espetando o traseiro do nosso herói e inventor do autorama da Estrela, Rubens Barrilchello. Brilhante a vitória conquistada, a 10ª em mais ou menos 25 anos de F1. Só não gostei da homenagem dele ao Felipe Massadas, primo do Paulo Massadas. Ele tinha mais é que homenagear quem o lançou na fórmula 1, o competente e magnânimo Governador José Serra. Eu lembro muito bem, pois morava na casa de meu avô, em São Paulo, ali nas margens do rio Tietê, quando ainda menino, Barrilchello aceitou um convite do Serra para correr de velocípede na São Silvestre, ostentando uma propaganda de uma nova marca de medicamentos genéricos.
Na ocasião, a vitória foi de um queniano esfomeado, que correndo por fora, ilicitamente pra variar, levou na mão grande a vitória. Mas naquele instante, nascia uma parceria de sucesso. Serra, visionário como sempre, passou a investir pesado em Barrilchello. Comprou logo de cara um Gordini 68 cor castanho, de consistência pastosa e apostou na vocação e no potencial deste piloto. Uma das exigências do atual Governador, chamado pelos cariocas carinhosamente de ET paulista, foi enviar para a casa do Rubinho um vale cestas básicas com direito a Miojo grátis para o resto da vida, e contratar o pior preparador físico disponível na ocasião, o que não foi tarefa difícil, pois bastou um telefonema para a casa de Maluf e este liberou por uma pequena quantia em dólares, o número 21 2225 72 40. Para quem não sabe, número antigo do Fluminense Futebol Clube. Lembro muito bem de sua primeira corrida em São Paulo, no Autódromo da Região dos Lagos. Fiquei de boca aberta. Rubinho fez de Iguaba a São Pedro da Aldeia em 44 min. Tempo inferior ao de uma etapa de jogo de futebol.
Rubinho cresceu uma criança alegre e tranqüila. De tão calmo, seu pai o levava todas as tardes, por volta das 18:00h para a Marginal Pinheiros, para treinar para a Fórmula 1. Usando seu talento e a potência do motor, Barrilclhello fazia de ponta a ponta, ou seja: um percurso de 12 km no tempo recorde de 4 horas 43 minutos e 21 segundos.
O tempo foi passando, Rubinho foi deixando seus brinquedos para trás, como o inseparável boneco a quem apelidou de: Chico válvula presa, e com isso, não foi fácil segurar nosso amigo aqui no Brasil. Seu endocrinologista sugeriu que o mandassem a pé para Portugal, para que ao chegar lá, já estivesse no peso ideal e sem estranhar a língua estrangeira.
De vitória em vitória, hoje Rubinho é uma realidade. Ele só não confirmou até hoje, e eu tenho quase certeza que foi com ele, Carlinhos de Jesus, aquele que esse ano não desfilou, mas viu a Mangueira entrar, que aprendeu a dar aquele famosa, elástica e coordenada Sambadinha bem brasileira a cada vitória suada no podium.




