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Proponho o “dia com carro”


Por Anderson Henrique
andersonhgo@gmail.com
22/09/2009

Vamos tirar todos os carros da garagem. Ou melhor, não apenas os carros, mas qualquer tipo de veículo automotor: motocicletas, vans, utilitários e triciclos. Onde estão os Hummers e os SUVs? Vamos, tragam também os ônibus piratas e os táxis ilegais. Vamos congestionar as ruas, imobilizar as avenidas e engarrafar as vias. Que tal parar a linha Amarela e a Vermelha, ocupar a Avenida Brasil, interditar a Ponte, fechar o túnel Rebouças e interromper o fluxo na Avenida das Américas? Não seria necessário, sequer, grande esforço: basta pegar seu veículo, tirá-lo da garagem, colocar na rua, em lugar estratégico, travar as portas e voltar pra cama.

Seria tão bonito! Os executivos não chegariam ao trabalho, as madames sofreriam sem suas empregadas, as crianças perderiam a escola, os bancos não abririam e não haveria expediente nos fóruns. Outros tipos de transporte ruiriam: filas quilométricas no metrô, trens abarrotados na central e lá do alto, os helicópteros da reportagem tentando entender que acontece na cidade (será que o piloto chegaria ao heliporto?).

Quem sabe nesse dia, a hipocrisia seria vencida, e as autoridades, diante de tamanha desordem, ao invés de proporem tolices como "o dia sem carro", se ocupariam de ações realmente eficazes à sociedade. Quanta galhofa! O governo que reduz os impostos para "aquecer" a indústria automotiva é o mesmo que pede à população para deixar o carro - comprado tão baratinho! - na garagem e usar uma bicicleta. Sinceramente, não pode dá pra levar a sério.

Estimular o carro na garagem não é solução. O que precisamos, e com certa urgência, é de transporte publico de qualidade, pontual, igualmente distribuído pelo estado e com integração entre as cidades. Precisamos de ciclovias, de ruas bem asfaltadas, de vias sem pedágio e da correta aplicação dos impostos. Enquanto isso não ocorre, desculpe-me, mas não dá pra ficar sem o carro. Vai uma carona aí?