Por Frini Georgakopoulos
14/10/12009
Stephenie Meyer conquistou leitores de diversas idades em diversos países ao narrar o amor entre a adolescente Bella Swan e o vampiro cavalheiro Edward Cullen, na saga "Crepúsculo". Agora, chega ao Brasil pela Editora Intrínseca, outro romance escrito por Meyer, mas com um tempero "fora desse mundo", intitulado "A Hospedeira".
O livro começa com a premissa parecida com "A Invasão": alienígenas começam uma colonização no planeta Terra invadindo corpos humanos. A consciência do corpo, sua personalidade, é apagada e a "alma" invasora toma conta. Mas os novos "inquilinos", que já colonizaram inúmeros planetas, são extremamente gentis e não conhecem violência, sarcasmo, mentiras.
Peregrina, a nova inquilina da humana Melanie Stryder, é quase uma lenda. Transferida de hospedeiro para hospedeiro, Peregrina já passou por nove planetas, tendo estado em uma flor, um urso, um morcego e assim por diante. O problema começa quando Peregrina acorda no corpo de Melanie, mas a consciência da humana ainda está lá e se recusa a ser apagada.
Duas mentes em um só corpo, Peregrina precisa aprender a lidar com os perigos de estar em uma hospedeira humana: memórias vívidas, fortes emoções e riqueza de sensações. Nessas memórias, Melanie mostra a Peregrina - contra sua vontade - Jared, o homem que ama, e Jamie, seu irmão mais novo. Nessa vida compartilhada, Melanie convence Peregrina a ir atrás dos dois, que permanecem escondidos e a salvo. Nesse momento, a integridade física e emocional de ambas é colocada em perigo. Conceitos como lealdade e amor são colocados em discussão indiretamente e os leitores, inconscientemente, tomam lados até que, esses lados passam a ser um só.
"A Hospedeira" é um livro de ficção científica que não parece ficção científica - é sobre um triângulo amoroso com apenas dois corpos. O que mais gostei foi de explorar o amor em ângulos tão diferentes. O amor pela comunidade, pelo próprio eu, pela família - o amor romântico e o amor platônico", explica Meyer.
Em "A Hospedeira", Stephenie Meyer mostra amadurecimento como escritora ao narrar a vida de sobreviventes no deserto, em uma atmosfera árida, quente e hostil. O livro começa um pouco confuso, sendo necessárias algumas páginas para os leitores se situarem no contexto da história e nas personalidades de seus protagonistas. O diálogo interno entre Melanie e Peregrina é bastante equilibrado, mostrando claramente as diferenças nas personalidades e opiniões das duas e apresentando aos leitores situações em que simpatizamos mais com uma do que com a outra e vice-versa.
A narrativa - assim como em "Crepúsculo"- é em primeira pessoa, o que ajuda a conhecer melhor e mais rapidamente o mundo e modo de pensar das "almas" invasoras, já que a narradora é Peregrina.
O ritmo do livro oscila bastante. Um mundo controlado por alienígenas pacíficos não apresenta muitos conflitos, mas isso é alterado quando somos apresentados aos flashbacks de Melanie, que tenta fugir da invasão. Mais para frente na trama, quando Peregrina se vê cercada por um grupo de humanos resistentes, o ritmo oscila novamente. Entre a hostilidade da maioria dos humanos no grupo e da posição tomada por Jamie e Jeb (família de Melanie que apelida Peregrina de Peg), os leitores passam a sentir mais o conflito entre as duas almas. Ambas estão certas em seus contextos diferentes. O ritmo segue mais lento, mas agora com mais motivo, pois é necessária a calma na narrativa quando se adiciona tensão e o contraponto do tom inocente de Peregrina.
Do meio do livro em diante, é impossível largá-lo. Outros personagens ganham mais destaque, a trama se complica, pois mais um interesse romântico é introduzido à trama, e é identificado que o tom lento do início era necessário para o ápice e a conclusão serem eficazes.
Meyer realmente amadureceu como escritora e tudo indica que esse é o caminho que a autora irá seguir. Mas muito ainda precisa ser melhorado, como, por exemplo, nomes e situações de outros planetas visitados por Peregrina. Lugares como Planeta das Algas Visionárias soa extremamente new age e hippie.
Stephenie Meyer já disse que talvez escreva uma ou duas continuações para "A Hospedeira", mas não é preciso. Ele funciona sozinho e já até ganhou contrato para ser levado para o cinema. O filme ainda não tem data para estréia, mas será roteirizado e dirigido por Andrew Niccol (de "Gattaca").
Serviço:
A Hospedeira
Autor: Stephenie Meyer
Editora Intrínseca
560 páginas
Preço: 39,90
2009
