Por Lucas Marques
15/10/2009
Há uma grande diferença entre uma comédia romântica e uma dramática - enquanto a primeira (geralmente, não sempre) apresenta uma atmosfera inverossímil e com uma série de artifícios hollywoodianos para funcionar, a segunda é mais calcada na realidade e veracidade das situações - afinal a vida é uma luta constante na qual os momentos de drama são inevitáveis, mas o bom humor e alegria não deixam de existir no cotidiano do ser humano. O novo trabalho do diretor Bart Freundlich (infelizmente, mais conhecido por ser marido da atriz Julianne Moore do que por seus trabalhos) tenta transitar pelas duas vertentes, com isso prejudicando o ritmo e o envolvimento do espectador com o que está sendo contado na tela.
A história é sobre a bela quarentona Sandy (Catherine Zeta-Jones), uma dona de casa que por uma gravação no computador, descobre que seu marido a traía; com tal descoberta, a bela não hesita em pedir o divórcio e se muda para Manhattan com os filhos. Por ser maníaca por esportes, ela logo consegue um emprego num canal especializado, onde eventualmente fará sucesso e carreira. Mas é menos bem sucedida na vida amorosa, assustando-se com os homens mais velhos que estão interessados nela e acaba se envolvendo com um jovem rapaz (o simpático Justin Bartha de "Se beber, Não Case"), que mesmo sendo 15 anos mais jovem certamente viverá um romance com a bela protagonista.
Faço aqui um adendo pessoal: se exagerei no adjetivo "bela" no parágrafo acima, é justamente pelo fato de que os sinais do tempo só estão favorecendo, esteticamente, a ótima atriz Catherine Zeta-Jones. É uma pena que nesse filme seu talento tenha sido desperdiçado por um roteiro que trata a personagem como um arquétipo do gênero e não hesita em constranger-nos com situações embaraçosas para provocar o riso (vide a cena do banheiro público).
Se na comédia, Freundlich não acerta, no contexto dramático (mesmo que raso) o filme se torna um pouco mais interessante ao "flertar" com temas familiares - é uma pena que o diretor não tenha se aprofundado mais nesse contexto.
Concluindo com um final deslocado e "preguiçoso" (por parte dos roteiristas), Novidades no Amor (The Rebound, 2009) é um filme irregular - que mesmo com um bom elenco se perde entre a comédia barata e o drama raso hollywoodiano. Mas há algo incontestável no filme de Freundlich, Zeta-Jones é, literalmente, uma bela quarentona.




