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EM BREVE NOS CINEMAS

Marido ausente


Por Raphaela Ximenes
19/10/2009

Para muitos uma história de ficção científica envolveria alta tecnologia, máquinas que ainda serão inventadas e se passaria no futuro. Ultimamente essas regras não valem tanto, basta dar uma olhada em "Distrito 9" (dirigido por Neil Bloomkamp), que mostra alienígenas vivendo entre nós há 28 anos e o recente Te Amarei Para Sempre (The Time Travelers Wife, 2009) dirigido por Robert Schwentke. Baseado no livro escrito por Audrey Niffenegger, o filme conta a história de Henry DeTamble (Eric Bana) que vive em nossa época e descobre aos 6 anos de idade que pode viajar no tempo, por causa de uma mutação genética. Henry, em uma de suas viagens no tempo, conhece Clare Abshire (Rachel McAdams) ainda pequena e os dois acabam se apaixonando e casando.

A premissa sobre Henry poder viajar no tempo seria de uma trama de ficção científica, mas Te Amarei Para Sempre é muito mais sobre o relacionamento entre Clare e Henry do que sobre sua condição. O rapaz teve uma vida triste, marcada pela morte da mãe em um acidente de carro quando ele descobre sua doença rara. A partir de então ele passa ter uma vida pela metade, indo e voltando no tempo sem conseguir se apegar a ninguém, pois nunca sabe quando terá que partir e menos ainda quando voltará. Quando Clare entra em sua vida ela já sabe tudo sobre ele, o que torna mais fácil o envolvimento dos dois.

Quando Clare e Henry se casam a trama se torna uma fábula sobre superação. Para Henry como superar sua angústia de não saber quando irá partir, se voltará logo e como não se afastar de Clare cada vez mais. Para Clare como conseguir se conformar com o fato de estar casada com um homem que parte sem aviso, que mesmo ela sabendo que não é voluntário, sua vida de casada pode ser muito solitária. A partir de então os conflitos surgem e até tentar gerar um filho se torna um problema.

Não tão denso quanto o livro de Niffenegger, o filme Te Amarei Para Sempre consegue sensibilizar da mesma maneira por conseguir mostrar a história de amor entre Henry e Clare sem enfeitar muito. Por mais que a condição de Henry seja fictícia, o relacionamento entre ele e a esposa é muito real. Seus conflitos são de fácil identificação com o público, mas sem serem superficiais. Em relação a história, o diretor Robert Schwentke consegue transpor para a tela as idas e vindas de Henry em suas várias fases da vida de forma sutil, sem muita explicação, tornando tudo muito natural e fazendo com que Te Amarei Para Sempre se torne um filme cativante.