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AGENDA DE SHOWS

EM BREVE NOS CINEMAS

Um belo corpo e nada mais


Por Sergio Batisteli
21/10/2009

A loirinha Needy Lesnicky (Amanda Seyfried) está internada em um sanatório. Needy é uma paciente extremamente violenta, mas ela não era assim, muito pelo contrário. A jovem garota era uma pessoa doce e amistosa. Amiga da garota mais desejada do colégio Jennifer Check (Megan Fox), elas partem para uma balada que mudará suas vidas para sempre.

Numa cidadezinha norte-americana com poucas opções de divertimento para a moçada, as meninas vão assistir ao show de uma banda de pop/rock em um bar com música ao vivo. A sensual líder de torcida, Jennifer está numa noite de volúpia e dá em cima dos roqueiros.

O bar pega fogo com a banda tocando a primeira canção do show, que depois vira um verdadeiro hino na pequena cidade. Needy e Jennifer fogem do incêndio, o vocalista Nikolai Wolf (Adam Brody) aparece do lado de fora tomando um drink, na maior calma do mundo com ar de sarcasmo e desdém pela situação ao redor. Nikolai convida a Jennifer para dar uma volta na van da banda e ela num estado de transe aceita o convite.

Jennifer, depois dessa voltinha surge mais tentadora do que nunca e dona de um afiado humor negro. A partir daí a bela moça passar a agir como uma agente do demônio.

Garota Infernal (Jennifers Body, 2009) tem a direção da nova-iorquina Karyn Kusama, a diretora segue a cartilha dos filmes enlatados do gênero para adolescentes.

O longa-metragem traz vários componentes de um filme de terror já produzidos pela indústria cinematográfica como, por exemplo, porta rangendo, barulho de pessoas entrando em casas com assoalho de madeira, sustos e assassinatos previsíveis etc. Com uma das cenas entre Needy e Jennifer, O próprio filme faz uma piada sobre o uso de clichês.

Garota Infernal não empolga, pois faz parte de um tipo de produção cinematográfica, que há muito tempo não há inovação nos roteiros. A dificuldade está justamente em criar novos argumentos e romper com o que já foi criado. Geralmente quando ocorre um destaque na qualidade de criação, ainda são os antigos cineastas de terror que conseguem dar um dinamismo nesse tipo de produção. No Brasil, o mestre Zé do Caixão, permaneceu 40 anos com o roteiro até conseguir filmar "Encarnação do Demônio" (2008). Com a ajuda de efeitos especiais que hoje a tecnologia oferece, ele soube tirar proveito disso e resultou em num filme atual, assustador e sem usar as ultrapassadas narrativas que entregam o final de uma cena. O mestre preserva um recurso que é fundamental para a magia do cinema, o efeito surpresa.