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Análise: Pixu


Por Bruno Rios Evangelista
25/10/2009

Editora: Devir
Autores: Fábio Moon, Gabriel Bá, Becky Cloonan e Vasilis Lolos (roteiro e desenhos).
Páginas: 130
Preço: R$ 18,50

Pixu é uma história escrita e desenhada por quatro dos cinco artistas responsáveis pela edição especial 5, vencedora do prêmio Eisner de melhor publicação independente. O quinto autor de 5 era Rafael Grampá, que estava trabalhando em sua graphic novel Mesmo Delivery na época em que Pixu foi produzida. Levando em conta o talento das pessoas envolvidas, e os elogios que este álbum recebeu - de autores do porte de Mike Mignola e Brian Wood, criador de ZDM e Local - era de se esperar que Pixu fosse uma grande obra de horror, bem acima da média produzida hoje em dia. Infelizmente, não foi o que aconteceu.

De acordo com os autores, a palavra Pixu designa uma espécie de marca maligna, cuja aparição "prenuncia a morte iminente". Também seria um termo utilizado na Medicina Tradicional Chinesa, que nomeia funções defeituosas do organismo humano. Na HQ, nós acompanhamos a história de personagens cujas vidas estão se deteriorando. A própria pensão onde eles vivem parece estar tomada por uma espécie de podridão sobrenatural, que avança como um tumor sobre as paredes da casa, trazendo à tona os tormentos mais íntimos de seus habitantes. Cada "núcleo" de personagens é desenhado por um artista diferente. O grego Vasilis Lolos criou o sr. Kalos, aparentemente a única pessoa a ter algum conhecimento do que está acontecendo no casarão. Fábio Moon cuidou da parte do sr. Caffard - um idoso praticante de artes ocultas - e sua neta Katerine. A americana Becky Cloonan conta a história de Claire e Omar, um jovem casal que se torna a primeira vítima da entidade. Gabriel Bá, por fim, dá vida aos infortúnios de um professor viúvo. Todas estas histórias evoluem de tal forma a se interligar no final apoteótico do álbum.

Não há do que reclamar dos desenhos. Todos eles, com suas características particulares, conseguem passar um clima tenso, de onipresente opressão e sufocamento a que os personagens estão submetidos. A narrativa está ótima, tão coesa que parece ter sido produzida por apenas uma pessoa. Ponto para eles! O problema mesmo está no roteiro em si. O ato de não explicar todos os elementos da história é um artifício comum aos contos de horror. É bom que algumas passagens fiquem por conta da imaginação do leitor, mas aqui os criadores deixaram as coisas obscuras demais! E os personagens não são desenvolvidos a ponto de se criar uma empatia com eles, ou com suas tragédias. Este aspecto tinha um potencial enorme, mas que acabou não sendo tão bem aproveitado. Pena.

É possível que Pixu se torne uma obra menor dentro do currículo do quarteto de quadrinistas. De qualquer forma, é interessante que cada um leia e tire suas próprias conclusões a respeito da HQ. Espero, também, que esta não seja a última colaboração entre estes artistas. E caso pretendam criar outra história de horror, aqui vai uma humilde dica: leiam alguns gibis do Dylan Dog!