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EM BREVE NOS CINEMAS

O texto como não texto sob o olhar de Malu Galli


Por Herbert Bastos

3/11/2009

 

A máquina de abraçar, de autoria do espanhol José Sanchis Sinesterra, pela primeira vez é montada no Brasil.Encenada pelas atrizes Mariana Lima e Marina Vianna, a peça marca a estreia da também atriz Malu Galli como diretora teatral, que em 2007 encenou um espetáculo escrito por Sinesterra, Diálogos com Molly Bloom. Nesse mesmo período, Malu ganhou das mãos de Sinesterra o texto qual encena atualmente como diretora.

O texto é explorado pela direção de modo a valorizar o trabalho das atrizes. Cada palavra, cada gesto, possuem um significado específico: a tentativa de expressar com o corpo o que a palavra e a fala não conseguem dizer. Nesse sentido o trabalho da atriz Mariana Lima é o que mais se destaca. Ela vive uma autista que desenvolve uma espécie de comunicação com seres botânicos por acreditar que somente eles conseguem entendê-la além de sua terapeuta, representada pela atriz Marina Vianna.

A peça pode ser considerada uma metáfora para a vida pós- moderna ocidental, em que muitos esquecem da importância do contato interpessoal, e da importância que um abraço tem na vida de cada um, e pouco se sensibilizam com que acontece ao seu redor. A direção que Malu aplicou ao texto de Sinesterra leva o espectador a ter esse tipo de raciocínio. Tudo se passa numa conferência em que a terapeuta participa e o espectador é o público que vai assistir o que a conferencista tem dizer.

A proposta cênica estabelecida, o uso de dois palcos para a representação das atrizes, apresenta uma inovação que grande parte dos espectadores podem estranhar de imediato, mas não dando uma conotação negativa ao "estranhar" e sim no sentido de achar diferente. Num determinado momento em que Mariana diz um texto quase mágico sobre a dificuldade de comunicação entre duas pessoas e pede a mão de um dos espectadores para que seja estabelecido um contato, aconselho que dêem a mão a ela.

O que infelizmente não aconteceu quando assisti ao espetáculo. Teatro é arte do encontro, o público precisa embarcar totalmente na onda em que os artistas querem propor. A maquina de Abraçar é uma das poucas peças em cartaz que fazem o espectador pensar sobre a maneira como se relaciona com seu semelhante, com pessoas que convivem em seu dia-dia.

 Serviço:

Temporada: de 25 de setembro a 15 de novembro

Local: Antiga Marcenaria do Espaço Tom Jobim - Jardim Botânico

Endereço: R. Jardim Botânico, 1008

Horário: Quinta e domingo - 19h

   Sexta e sábado - 21h30

Ingresso: R$ 40,00 (inteira)

Classificação etária: 16 anos

Duração: 1h20

Tel: 2274-7012

Capacidade: 46 lugares

Horário bilheteria: terça a domingo das 15h até o início do espetáculo

Exposição: de terça a domingo das 13h às 17h

Entrada franca