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EM BREVE NOS CINEMAS

Entrevista: Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo...


Por Sonia Rocha
16/12/2013

Na última segunda-feira um espaço de cinema na zona sul do Rio de Janeiro abriu suas portas para receber a imprensa e o cineasta Matheus Souza, juntamente com os atores Clarice Falcão e Rodrigo Pandolfo,  para sessões de entrevistas do lançamento do Filme Eu não faço a menor ideia do que tô fazendo com a minha vida, que entra em circuito nacional a partir do dia 20/12.

Receptivos, comunicativos e bastante espontâneos, os três falaram sobre vários assuntos, desde a construção do personagem de cada um até as dificuldades para se fazer cinema no Brasil. Lembrando que Matheus Souza vem de um sucesso com Apenas o fim (2008), foi um dos colaboradores no roteiro de Confissões de adolescente (2003) e a trilha sonora de Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com minha vida é dele, ou seja, um cineasta talentoso e jovem (não tem como não dizer isso).

Quando perguntado sobre como surgiu a ideia do roteiro e a criação do nome, Matheus disse que havia passado um certo tempo do primeiro filme e sentia-se meio perdido, que estava no aguardo de recursos para fazer um filme maior, havia contatado produtores diferentes e não tinha certeza que se queria fazer uma comédia, um drama, se queria fazer televisão ou cinema, só sabia que queria fazer um filme e se sentia meio perdido, se olhou no espelho e assim surgiu a frase que deu origem ao nome do filme.

Rodrigo Pandolfo (Guilherme) foi perguntado sobre os processos diferentes que vivenciou para fazer três filmes: O concurso (2013); Minha mãe é uma peça: o filme (2013) e Faroeste Caboclo (2013). A que respondeu que sente-se privilegiado de ter podido participar de filmes tão diferentes, de papéis tão díspares na construção e de obras de linguagens tão distintas. Disse ainda que aceitou a personagem porque acha que esse trabalho vai mexer com os jovens e que foi o primeiro trabalho em que teve que abrir mão da construção, de dar uma cor mais forte. Acrescentou, " você tem que saber onde está pesando, saber esperar de uma obra ´só o que ela pode te dar. Cada trabalho tem um público e um estilo, televisão é uma coisa, cinema é outra e teatro ainda outra. É entender em que linguagem você está inserido. O que cada produção vai te oferecer de espaço e o que você vai poder oferecer à produção e não se frustrar querendo mais do que o possível, você tem que ter clareza, encontrar a chave"

Ao Almanaque Virtual (AV) coube algumas perguntas:

AV: (para Clarice Falcão) Pelo fato de vir do humor, como foi fazer as cenas mais intensas, mais emotivas, você sentiu dificuldades para chorar ou dar mais ênfase às cenas mais sensíveis?
Clarice: Eu não tentei chorar, não tinha no script..Chora! Eu tentei dar o tom de verdade. Não houve muito tempo de preparação, recebi o roteiro uma semana antes e gravamos em duas semanas.

AV: Mas você se identificou? Prosseguiria no gênero drama, se fosse o caso?
Clarice Falcão: Eu refiro não focar numa coisa só. Aliás esse filme foi feito bem antes do Porta dos Fundos. Eu prefiro escolher os projetos pelo fato de serem interessantes ou não, do que pelo estilo, se são de humor ou drama, para cinema ou para televisão. É muito mais legal escolher um projeto pela qualidade do que pelo gênero.

AV: Vocês participaram do Festival de Gramado (2012) e Festival do Rio (2012) porque demorou tanto tempo para lançar o filme no mercado?
Matheus Souza: Ele é um filme pequeno, feito com quase nada de orçamento e ele não teve o estrondo de Apenas o fim aí a gente encontrou a Vitrine distribuidora que tinha acabado de vir do Som ao redor (2012), tivemos que esperar o edital sair, esperar o resultado e esse tempo chegou agora, foi a janela que tivemos. Com todas as dificuldades a gente fez um filme e foi divertido e ele agora alcança as pessoas. A equipe toda é uma equipe de iniciantes, universitários que estão dispostos a aprender. Cinema se aprende na prática, a faculdade dá a teoria, o dia-a-dia ensina a prática, Foi o primeiro filme da diretora de fotografia, foi o primeiro filme do diretor de arte, são universitários querendo uma coisa bacana.
Rodrigo Pandolfo: ....quase uma reunião de amigos, pegar uma câmera e vamos ver no que vai dar. O roteiro era consistente, juntando o prestígio de reconhecimento de Apenas o fim. Era o que se queria fazer, um filme alternativo, que fala de uma sociedade que pressiona o jovem para decidir a vida muito cedo, e que existe em todo lugar, que não sabem o que fazer ou que escolheram uma coisa que os fazem infelizes, e essas pessoas vão se identificar no filme. Não é só uma reflexão profissional é em todos os sentidos.

AV: Vocês têm noção de que vocês estão fazendo filosofia com a galera mais jovem, mesmo que não tenha sido essa a intenção?
Matheus Souza: A ideia é essa, a ideia é fazer pensar. A maioria das produções pra jovens, no Brasil, subestima a inteligência deles. Então a gente quis, e foi o que eu tentei no roteiro em Confissões de adolescente. Eu quero fazer pensar. Eu quero esperar que ele assista alguma coisa e se sinta desafiado a entender o que é aquilo.
Rodrigo Pandolfo: O que eu acho legal é que é um filme jovem, despretensioso, tem qualidade, é alternativo, bem agulha no palheiro no Brasil. É um filme que não entrega de mão beijada as coisas,  não faz esforço para se adequar ao mundo jovem, ele é o que o jovem é.

E já no final Matheus Souza foi perguntado como é ser o cineasta e o roteirista mais novo do cinema nacional (Matheus Souza tem apenas vinte e cinco anos) e ele respondeu "Sou cineasta mirim. É complicado, mas é bom, posso fazer coisas estranhas sem me cobrar, é a minha desculpa. Embora tenha sempre que ser responsável; o norte que eu tento traçar é fazer coisas sinceras".