Linda de Morrer – Coletiva de Imprensa

Equipe e elenco divulgam filme no Rio de Janeiro

por

20 de agosto de 2015

Em evento de divulgação do filme “Linda de Morrer”, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a veterana Gloria Pires fez questão de salientar que não é escrava da beleza como sua personagem − é vaidosa sim, mas dentro dos limites da normalidade. No filme que acaba de sair do forno, a atriz global interpreta Paula, uma cirurgiã plástica que inventa uma pílula capaz de eliminar as detestáveis celulites, inimigas número um das mulheres. A fórmula, sugestivamente batizada com o nome de “Milagra”, é promessa de sucesso nas prateleiras. Cega pela fama e pela descoberta do “milagre” estético, Paula é obrigada a lidar com fantasmas, literalmente; afinal, ela mesma se transforma em um com a chegada inopinada da morte. Cris D’Amato, cineasta que gosta de transitar pelo universo feminino, dirige “Linda de Morrer” sem pesar a mão em julgamentos. “O filme por si só já me atrai, falar sobre essa busca incessante da ditadura da beleza. Não sou contra nenhum procedimento estético, sou contra o excesso. Eu acho que as mulheres estão sempre buscando alguma coisa, somos seres inquietos. Por muito tempo ficamos muito assentadas, está na hora de falarmos e mostrarmos o que a gente acha e sente. O filme é um canal para isso.”

Ainda que “Linda de Morrer” seja uma comédia despretensiosa, questões importantes, para além dos abusos em nome de um padrão de beleza, são trabalhadas no enredo. Gloria Pires, que atua ao lado da filha Antonia Morais, revelou que se identificou com a rotina inquietante da personagem, sem tempo para acompanhar a família como gostaria. Para a atriz, o fato de o longa fazer rir não impede a abordagem de assuntos mais delicados. “Antes de começarmos a filmar, a Cris (D’Amato) foi a minha casa com o roteiro e fizemos uma leitura que terminou em lágrimas. Realmente o filme toca em um assunto importante para quem já perdeu alguém querido e deixou de falar algo, sem poder reter algum momento que passou. É uma reflexão interessante. O dia ficou pequeno, 24 horas não são mais suficientes.” E como a atriz lida com a morte? Medo mesmo não tem, o problema são as pendências. “Eu não tenho medo de morrer, mas tenho receio de deixar coisas inacabadas. A morte dos meus pais foi muito difícil, eu sempre lembrava da vontade de estar com eles, sempre fica uma frustraçãozinha, eu tento entender.”

Antonia Morais teve a sorte de contar com a ajuda da mãe para compor a personagem Alice, filha de Gloria também na ficção. Segundo ela, mais ativa na carreira musical, embarcar no projeto foi um desafio que não demandou nenhum sacrifício. “Desde o dia em que a Cris (D’Amato) me chamou para fazer o teste eu me identifiquei com a personagem. Quando chegou a oportunidade eu pude exercitar meu lado atriz, que eu considero importante. Foi tão bom, um tempo curto, mas intenso.” Alice é o contraponto da mãe que insiste em pecar na superficialidade. Fotógrafa, a jovem direciona o foco para os alvos mais naturais, no desejo de captar a vida sem qualquer realce. Antonia animou-se com essa ótica. “Eu me identifiquei com a visão da Alice de ver beleza na imperfeição, nas coisas sem maquiagem. Que característica a sociedade coloca para uma pessoa ser considerada bonita? As pessoas são misturas e existe outro tipo de beleza, que está no interior. Uma espécie de luz”.

O ator Emilio Dantas, que interpretou Cazuza em um musical teatral, está em “Linda de Morrer” responsável por um papel determinante na condução da trama. O psicólogo Daniel descobre, apavorado, dons mediúnicos recém adquiridos. Desta forma, ele consegue dialogar com dois universos: material e espiritual. Emilio, que admitiu morrer de medo de fantasmas e detestar o clima opressivo do cemitério, terreno que serviu de locação para o filme, também transmitiu suas impressões a respeito do culto à perfeição corporal. “Existe uma beleza consumível, quase como um objeto. Você vê uma mulher bonita e se prende nessa estética, você quer aquilo. Quando a pessoa está em um estado de espírito legal, se tiver se sentindo bem, a beleza surge.” Angelo Paes Leme é o vilão, o sócio inescrupuloso de Paula que esconde um perigoso segredo sobre a composição do “Milagra”. Para ele, o que importa é a leveza com a qual “Linda de Morrer” conduz a alfinetada. “O filme faz uma crítica ao excesso de vaidade e à deturpação de determinados valores, mostrando o que eles podem fazer com uma pessoa. O texto fala do perigo que isso pode gerar, mas de uma forma leve, divertida.” Buscando identificação com um público de estilos diversos, com ou sem plástica, “Linda de Morrer” é entretenimento para todos.