Linda de Morrer

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20 de agosto de 2015

Estamos em um tempo de obsessão por intervenções cirúrgicas em nome da estética considerada perfeita. Rostos irreconhecíveis de famosas, modificados pela plástica, são fotografados no tapete vermelho; aplicações irresponsáveis de hidrogel terminam em desastres que ocupam a mídia por dias. E o que dizer do silicone nos seios e do botox aplicado na face para amenizar as rugas indesejáveis? Recursos tão banalizados quanto um ingênuo batom nos lábios. Pegando carona nessa tendência de valorização da aparência, chega aos cinemas a comédia “Linda de Morrer”, engordando ainda mais a safra descartável de filmes que se encaixam no gênero.

Dirigido por Cris D’Amato (“S.O.S. Mulheres ao Mar” ― 2014), o filme tem como argamassa os prejudiciais excessos da vaidade feminina. Um problema potencializado na personagem de Gloria Pires, a cirurgiã plástica Paula inventora do “Milagra”, poderoso medicamento que promete detonar a celulite. Paula é a síntese da mulher moderna quase que integralmente dedicada ao trabalho, sem tempo para acompanhar o aprendizado dos filhos. No caso de Paula, distante da filha Alice (Antonia Morais – filha de Gloria Pires), uma jovem fotógrafa com valores norteados pela procura da beleza interior nas pessoas do cotidiano. O oposto da mãe.

Do argumento que até desperta interesse pela originalidade, a conexão do mundo espiritual com o material sem o tsunami lacrimal de “Ghost” (1990), não sobra nada inventivo em termos de comédia. Sob a forma de fantasma após a morte inesperada, Paula procura uma forma de redimir-se das falhas cometidas em vida. A ponte para tal objetivo está no personagem de Daniel (Emilio Dantas), um psicólogo bonitão que fica a beira de um ataque de nervos quando descobre que recebeu do além um dom inesperado: é capaz de ver mortos e dialogar com os mesmos. Item indispensável no roteiro engessado é a paixão banal do galã pela mocinha Antonia. Já do apanhado de piadas flácidas, uma passagem de destaque revela-se na sátira que o filme faz ao molde de programas, especialmente culinários, destinados ao público feminino. Susana Vieira, em participação especial, protagoniza momentos constrangedores na pele de uma mãe de santo. Com direção que funciona no piloto automático, rigorosamente obediente aos padrões pouco criativos de comédias do tipo, “Linda de Morrer” tem a pretensão débil de oferecer ao espectador “lições de vida” que soam cafonas e desgastadas demais.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 2