Madonna

Destaque no Festival de Cannes 2015, o filme trata de assuntos fortes de maneira crua

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16 de outubro de 2015

Um dos destaques da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2015, “Madonna” é um drama que discute temas pesados como estupro, misoginia, assédio sexual e tráfico de órgãos, todos apresentados de forma crua, sem nenhum tipo de atenuação – um prato cheio para controvérsias. Escrito e dirigido pela cineasta sul-coreana Shin Su-Won (“Pluto”, 2013), cujo olhar feminino faz toda a diferença, o longa se passa no atual período de crise que assola a Coreia, um ótimo panorama para mostrar do que as pessoas são capazes quando estão em dificuldade, ou para continuar numa alta posição. É neste cenário que a enfermeira Hye-rim (Yeong-hie Seo) se apresenta para seu primeiro dia de trabalho na área VIP de um hospital e recebe a responsabilidade de cuidar de um paciente idoso tetraplégico, que logo descobre ser um dos acionistas do local, mantido vivo por uma série de transplantes de órgãos durante 10 anos pelo filho Sang-woo (Kim Young-Min) por interesses financeiros. Com a última tentativa de transplante frustrada, Sang-woo escolhe como nova doadora uma mulher não identificada que chegou ao hospital com morte cerebral. Após a descoberta de que a moça, uma ex-prostituta conhecida como Madonna (Kwon So-Hyun), está grávida, ele pede a Hye-rim investigar sua origem e procurar pelo pai do bebê. Só que a enfermeira fará uma busca profunda em seu passado para tentar salvar o bebê, desobedecendo às ordens de Sang-woo.

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Os efeitos da falta de amor (inclusive o próprio) permeiam toda a trama de “Madonna”, que focaliza em três personagens completamente diferentes que têm seus caminhos cruzadas pela imprevisibilidade do destino. Su-Won trabalha com o contraste de personalidades e valores dos personagens principais – a enfermeira, o filho interesseiro e Mina/Madonna. Em paralelo ao tempo presente, o espectador conhece gradativamente os segredos de cada um: suas dores, traumas e arrependimentos passados. À medida que Hye-rim descobre sobre a vida de Madonna, flashbacks surgem na tela para exibir o conteúdo duro e melancólico dos depoimentos de conhecidos da garota. O enredo, muito bem desenvolvido e conduzido por Su-Won, incomoda e angustia, e esta foi a intenção da cineasta desde o início. As reações a “Madonna” são diversas e adversas, mas uma coisa é certa: é muito difícil ficar indiferente ao filme. No bom sentido, desconforto é a palavra que melhor o define.

Festival do Rio 2015 – Panorama do Cinema Mundial

Madonna (Idem)

Coreia do Sul – 2015. 120 minutos.

Direção: Su-Won Shin

Com: Seo Young-Hee, Kim Young-Min, Kwon So-Hyun e Byun Yo-Han.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4