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Coletiva com o astro Tom Cruise

Por Mario Abbade

Fotos Gabriela Magnani

03/02/2009

Nessa terça-feira, Tom Cruise recebeu a imprensa brasileira para falar sobre o seu novo filme: "Operação Valquíria". Tom Cruise interpreta o Coronel Claus von Stauffenberg, que se envolve em um complô que tem por objetivo assassinar Adolph Hitler. A coletiva aconteceu no Hotel Copacabana Palace na cidade do Rio de Janeiro.


AV: Stauffenberg pode ser considerado mais um herói na galeria de tantos que você já interpretou?

Tom Cruise: Alguns personagens que interpretei podem ter características heróicas. Uns mais e outros menos. No caso de Stauffenberg, foi ótimo interpretar uma pessoa que existiu que tentou fazer a coisa certa. Isso demonstra que tinham pessoas contra o regime nazista e não ficaram de braços cruzados. Conforme me aprofundei na pesquisa sobre ele, percebi que ele não queria que sua família crescesse naquele ambiente. A pressão que ele sofria me ajudou a encontrar um tom certo na minha interpretação. Ele não podia conversar com seus filhos, dizer o que pensava, pois poderia acontecer retaliações.

AV: Alguns dos personagens que você interpretou são caracterizados pela redenção. Você acha que Stauffenberg também possui essa característica?

Tom Cruise: Não acho que ele procura a redenção. Ele queria fazer a coisa certa. Não acredito que ele tinha essa arrogância de querer se redimir. Ele estava preocupado com o futuro de sua família. Ele agiu pensando nela. Esse é um tema que eu gosto: família. E isso vale para todas as culturas. É um tema universal.

AV: Li uma declaração sua que esse era o filme de sua vida?

Tom Cruise: Todo filme que faço tem sua importância para mim. Não faço filmes por fazer. Todo filme é importante. Esse foi um desafio e foi ótimo trabalhar com atores fantásticos. Sempre quis fazer um filme que remetesse aos grandes clássicos do passado como "Fugindo do Inferno". Um thriller com muito suspense baseado em fatos históricos.

AV: Vocês seguiram os fatos ou houve liberdade criativa?

Tom Cruise: Esse filme não é um documentário. É cinema. Fomos meticulosos com os fatos. Através dos acontecimentos reais transformamos a história em um thriller de suspense. Buscamos inspiração até em Hitchcock, como na cena da bomba. Ao mesmo tempo, isso tudo foi realizado respeitando a história. Eu sempre trabalho com roteiro. Mesmo em "Trovão Tropical", tudo foi realizado em cima do roteiro. Tive muitas conversas com Ben Stiller na concepção daqueles momentos. Foi o mesmo processo com Bryan Singer.

AV: Teve rumores que o governo alemão pressionou a produção?

Tom Cruise: Isso não é verdade. Venho lidando com esse tipo de fofoca em toda a minha carreira. As pessoas têm a tendência de aumentar as coisas. Tivemos um ótimo relacionamento com o governo alemão, até porque temos co-produtores alemães. Infelizmente, todo filme tem esse tipo de controvérsia.

AV: Qual foi o momento mais emocionante e o mais difícil durante as filmagens?

Tom Cruise: O mais emocionante foi a cena do pelotão de fuzilamento. O mais difícil foi conseguir aviões usados na época ou que fossem perfeitos em sua reconstituição histórica. Eu sou um apaixonado por aviões e adoro voar. Quando eu era garoto tinha em meu quarto um foto de um B-52 e uma de um Spitfire.

AV: Como foi sua relação com Bryan Singer, já que além de atuar, você é um dos produtores, além de ser um dos chefes da United Artists atualmente? Foi como o seu personagem Les Grossman de "Trovão Tropical"?

Tom Cruise: (risos). Não foi assim. Realmente Les é um personagem muito engraçado e adorei interpretá-lo. Mas não sou assim (risos). Eu gosto que no set as coisas caminhem com tranqüilidade e suavidade. O ambiente tem que ser bom para todos os envolvidos, para que as coisas saiam certo.

AV: Eu li que você odeia Hitler e se tivesse a chance, gostaria de matá-lo. Interpretando esse personagem conseguiu realizar esse sonho?

Tom Cruise: (risos). Eu odeio nazistas, acredito que todos aqui também. Mas não chega a tanto (risos).

AV: O filme não foi bem nos EUA. Internacionalmente ele esta sendo bem recebido pelo público. Foi por causa disso que você resolveu vir ao Brasil?

Tom Cruise: O filme vem superando expectativas, tem ido muito bem internacionalmente. Tem sido melhor que o esperado. Sinto-me orgulhoso da visibilidade desse filme. Percebi que essa historia tinha seu publico. Era um filme que trabalhei mais de uma ano para testar todas as suas complexidades.

AV: Muita gente não conhece essa história e estará indo ver esse filme só porque é estrelado por Tom Cruise, isso te incomoda?

Tom Cruise: Eu não conhecia essa história, até o roteiro chegar a minhas mãos. As pessoas que buscam diversão irão encontrar um thriller de suspense. Quem procura história, também ficará feliz, pois o filme tem isso. Gostaria de ressaltar que o cinema é importante para quebrar essas barreiras. Quando criança, depois que assisti "Lawrence da Arábia" de David Lean, aprendi quem era aquele personagem e busquei mais informação sobre o homem que inspirou o filme. Acredito que "Operação Valquíria" também provocará essa reação. As famílias nos EUA têm assistido ao filme e ele tem sido exibido em escolas. Isso é muito gratificante. Mesmos os costumes brasileiros como o samba e o tango argentino eu tive contato primeiro através do cinema. Acho que o cinema tem um papel importante na divulgação das diferentes culturas.

AV: O que mais te encantou no Brasil?

Tom Cruise: As pessoas, a comida, a paisagem, as praias...muitas coisas. Fiquei com muita vontade de ir à praia jogar um voleibol. Vai ficar para uma próxima vez. Provei da carne brasileira e adorei. Eu e minha família fomos muito bem recebidos e o Rio de Janeiro é muito lindo. Tenho sorte de ter essa profissão que me concede o prazer de conhecer lugares e pessoas diferentes.

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