Maze Runner – Prova de Fogo

Sai o toque de aventura oitentista e entra toque de terror noventista

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17 de setembro de 2015

A franquia “Maze Runner” faz parte de adaptações para as telonas a partir de livros distópicos que mostram futuros alternativos e caóticos pós alguma crise mundial, porém geralmente envolvendo algum triângulo amoroso no meio que guia a narrativa. Fazem parte deste gênero outras séries como “Jogos Vorazes” e “Divergente”, que vieram suprir de maneira mais madura a lacuna deixada pela franquia “Crepúsculo”, que pertencia a outro subgênero literário. E, de fato, o primeiro “Maze Runner” conseguiu se destacar como uma aventura claustrofóbica de jovens jogados num labirinto feito ratos de laboratório, enfrentando desafios mortais sem saber o porquê. Muitas destas e outras perguntas são respondidas neste segundo exemplar com o subtítulo “Prova de Fogo” (“The Scorch Trials” – 2015, de Wes Ball).

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A saga “Maze Runner” conseguiu construir uma boa metáfora nos livros sobre os dissabores do crescer. O primeiro no labirinto é uma analogia para quando as crianças ainda estão no útero da mãe, presos dentro de casa e não podem desobedecer, senão serão castigados, pois tudo lá fora pode ser ainda mais perigoso. Já no segundo, atual filme chegando nas telonas, uma vez libertados do labirinto, e descoberto que o casal de protagonistas já havia trabalhado pra organização C.R.U.E.L e sofreu lavagem cerebral, todos foram soltos no mundo e nas decepções adultas, experimentando seus corpos e o romance com o corpo do outro. E o terceiro que finalizará a saga será quando irão atrás das figuras de autoridade/paternas, a organização que os manipulou para obter a cura do vírus mortal mundial, de modo a derrubá-los edipianamente, a provar que os fins não necessariamente justificam os meios.

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O fato é que como filme, se o primeiro se encaixava no gênero aventura típica da década de 80, a revelação de que o tal vírus mortal transforma as pessoas em zumbis, e que por isso os perigos do mundo estão à espreita, emprestam elementos do gênero terror e de filmes catástrofes, apesar de como narrativa estragar um pouco da tensão bem guardada do anterior em não se saber o que os ameaçava de fato. Visualmente, até que capricharam no desenho de produção das cidades famosas ora destruídas, com prédios caídos sobre precipícios (atente que um dos cartazes do filme reproduzindo esta cena, infelizmente faz publicidade enganosa frente o que acontece na tela…). Resultando que há cenas e cenas, de qualidade ou inovação irregulares, por vezes original, quando adota a claustrofobia do primeiro filme, nos corredores estreitos recheados de zumbis nas sombras de um shopping mall silenciosamente abandonado. Porém noutras vezes abusando dos efeitos de computador em panorâmicas abertas, soa artificial e se esforça demais para ser um blockbuster de grande porte, sem querer ou não repetindo sequências já vistas em inúmeros filmes, até nos errados, como os péssimos monstros de “Eu Sou a Lenda” quando os inicialmente artesanais zumbis maquiados escondidos pelas sombras viram quase super soldados mudantes. Isto esvazia o lado alternativo que o primeiro filme tinha, além de desenvolver muito pouco os personagens antigos em detrimento de alguns bons novos como a dupla Brenda e Jorge (Rosa Salazar e Giancarlo Esposito de “Breaking Bad”).

Um filme que vale ao menos pelo conjunto, porém que não se definiu singularmente para além de ser uma barriguinha entre o primeiro e o desfecho.

 

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3