Meu Passado Me Condena 2

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02 de julho de 2015

Apostando mais uma vez no suposto carisma do casal Fábio (Fábio Pochat) e Miá (Miá Mello), revelado em série já extinta do canal Multishow, chega aos cinemas a sequência “Meu Passado Me Condena 2”, novamente dirigida por Julia Rezende. O filme de continuidade, movido pelas boas intenções ($) do mais puro cinemão comercial, é muito mais instável em terra firme do que foi seu antecessor, “Meu Passado Me Condena” (2013), em pleno alto-mar. A primeira produção, dominada pelo frescor de um contexto com bons atributos para a fluência da comédia, a lua de mel de Miá e Fábio em um cruzeiro marítimo carregado de imprevistos, é muito mais funcional que a sequência ― marcada pela crise conjugal dos protagonistas, com Portugal como pano de fundo, na propriedade rural da família de Fábio.

O casal formado por personagens que representam a atração de verdadeiros opostos está por um fio após três anos de matrimônio. Ambos continuam os mesmos. Miá, responsável e bem sucedida, não aguenta mais a imaturidade de Fábio, ainda incapaz de agir como um homem adulto e casado. Do amor que supera todas as imperfeições, lição açucarada do filme precedente, sobraram apenas diferenças que Miá quer oficializar com o pedido de divórcio. Abalado com a decisão, Fábio recorre a uma alternativa para reconquistar a mulher que levou ao altar ― uma viagem inesperada para Portugal usando a triste desculpa do sepultamento de um parente com o qual ele nem tinha contato. Prestes a naufragar a cada piada frouxa, tudo que o filme precisa é de uma bomba de oxigênio para não apagar de vez. Fábio Porchat, após recente bom desempenho em uma fita dramática, “Entre Abelhas” (2015) de Ian Sbf, ocupa-se com um humor automático, sem esforço e substância para manter rítmico o fôlego do enredo. Miá Melo, apenas correta, é uma protagonista que passa com a mesma discrição de um coadjuvante.

Repetindo a cômica química do filme anterior, o casal de abutres Suzana (Inez Viana) e Wilson (Marcelo Valle), antigos funcionários do cruzeiro de “Meu Passado Me Condena” e agora donos de uma funerária em Portugal, são os melhores trunfos que o filme tem a oferecer em termos de comédia. O melhor amigo de Fábio, o quadrúpede Cabeça (Rafael Queiroga), também está de volta com suas tiradas, vazias de graça e de noção. As dissensões do casal em terras portuguesas são mais capazes de mobilizar o sono do que a diversão do espectador desavisado. A mudança radical de ares, do Brasil para o país europeu, nada acrescenta ao fiapo de história. Os atores lusitanos Ricardo Pereira (bem conhecido por aqui pelas participações em novelas globais) e Mafalda Rodiles complementam o elenco em papeis que dizem respeito ao passado pouco glorioso de Fábio. Ele, um rival bonitão e ela, uma ex-namorada cheia de memórias românticas. Sem conseguir abafar a previsibilidade típica com dribles criativos do roteiro, “Meu Passado Me Condena 2” submerge, sem tempo para uma massagem cardíaca.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 2